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DRº. Galileu
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TAIS LUSO DE CARVALHO

Estava pensando numa palavra que fosse bonita e que me trouxesse algum significado. E lembrei logo: ‘saudade!’. E isso me levou a fazer um parâmetro entre os médicos mais antigos e os médicos de agora.

Há alguns anos existiam, ainda, os médicos de família: lembro que os pacientes tinham nome, família, eram tratados e examinados como gente. Hoje somos números; somos ‘fichas’ ou ‘carteiras plastificadas’. E dependendo do plano de saúde, ainda agradecemos pelo tratamento um pouquinho diferenciado. Mas somos ‘carteirinhas’.

Será que os médicos de hoje não percebem que nós, quando doentes, ficamos frágeis, assustados e carentes de uma palavra amiga? Penso que deveria fazer parte do currículo da faculdade de medicina uma matéria indispensável ao médico: humanidade.

Será difícil para os médicos perceberem que por medo do diagnóstico é que vamos atrás do ‘médico-amigo’? Temos uma parte emocional que facilmente se desestrutura, e é nessa que falo.

São muitos os que divagam atrás de um profissional com as características do médico de família; dos médicos que conheciam nosso corpo e nossa alma. Daqueles médicos que sabiam o que estava acontecendo e por quê. Tenho pena de todos e tenho pena de mim.

Minha filha, hoje adulta, encontrou numa confeitaria, o seu médico de infância: chorou de emoção. Achei lindo isso, um ato de eterna gratidão. E eu, neste momento, lembrando disso, tento segurar meus abalos. Agora, ela não tem mais por quem chorar. Todos se acostumaram com a frieza do atendimento médico. Teríamos outro jeito?

Se os médicos de agora soubessem da importância deles, das marcas que deixam em nossas vidas, falariam e escutariam mais seus pacientes. Não procuramos um feiticeiro milagroso, procuramos um ser humano que se interesse pela nossa cura, mas também que tire nossas dúvidas, que nos dê esperança e uma palavra de conforto.

Digo-lhes doutores, as doenças nos deixam tão humildes e frágeis que, se fosse possível uma pitadinha de compaixão e de calor humano... Aliviariam nossas dores e, talvez, voltaríamos a chorar de emoção e agradecimento.

Depois, podem pedir tomografias, ressonâncias, cintilografias... Todos estes avanços tecnológicos que ajudam na precisão do diagnóstico. Mas, peço-lhes que não sejam máquinas, doutores, usem o coração!

FONTE: PORTO DAS CRÔNICAS

 
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