Estava pensando
numa palavra que fosse bonita e que me trouxesse algum
significado. E lembrei logo: ‘saudade!’. E isso me levou
a fazer um parâmetro entre os médicos mais antigos e
os médicos de agora.
Há alguns anos
existiam, ainda, os médicos de família: lembro que os
pacientes tinham nome, família, eram tratados e examinados
como gente. Hoje somos números; somos ‘fichas’ ou ‘carteiras
plastificadas’. E dependendo do plano de saúde, ainda
agradecemos pelo tratamento um pouquinho diferenciado.
Mas somos ‘carteirinhas’.
Será que os médicos
de hoje não percebem que nós, quando doentes, ficamos
frágeis, assustados e carentes de uma palavra amiga?
Penso que deveria fazer parte do currículo da faculdade
de medicina uma matéria indispensável ao médico: humanidade.
Será difícil para
os médicos perceberem que por medo do diagnóstico é
que vamos atrás do ‘médico-amigo’? Temos uma parte emocional
que facilmente se desestrutura, e é nessa que falo.
São muitos os que
divagam atrás de um profissional com as características
do médico de família; dos médicos que conheciam nosso
corpo e nossa alma. Daqueles médicos que sabiam o que
estava acontecendo e por quê. Tenho pena de todos e
tenho pena de mim.
Minha filha, hoje
adulta, encontrou numa confeitaria, o seu médico de
infância: chorou de emoção. Achei lindo isso, um ato
de eterna gratidão. E eu, neste momento, lembrando disso,
tento segurar meus abalos. Agora, ela não tem mais por
quem chorar. Todos se acostumaram com a frieza do atendimento
médico. Teríamos outro jeito?
Se os médicos de
agora soubessem da importância deles, das marcas que
deixam em nossas vidas, falariam e escutariam mais seus
pacientes. Não procuramos um feiticeiro milagroso, procuramos
um ser humano que se interesse pela nossa cura, mas
também que tire nossas dúvidas, que nos dê esperança
e uma palavra de conforto.
Digo-lhes doutores,
as doenças nos deixam tão humildes e frágeis que, se
fosse possível uma pitadinha de compaixão e de calor
humano... Aliviariam nossas dores e, talvez, voltaríamos
a chorar de emoção e agradecimento.
Depois, podem pedir
tomografias, ressonâncias, cintilografias... Todos estes
avanços tecnológicos que ajudam na precisão do diagnóstico.
Mas, peço-lhes que não sejam máquinas, doutores, usem
o coração!