Ricardo
Coutinho edita 25 MPs e oposição vê exagero.
23/01/12
- 06:41
Para driblar as amarras no ritmo do
processo legislativo, o governador Ricardo Coutinho
(PSB) editou, em 2011, pelo menos 25 Medidas Provisórias
(MPs), segundo registra o Sistema de Apoio ao Processo
Legislativo (SAPL) da Assembleia Legislativa da Paraíba.
Com força de lei, as MPs permitem ao governante implementar
de imediato as ações do Poder Executivo, sem a participação
do Poder Legislativo, que somente discutirá e decidirá
sobre a aprovação ou não em momento posterior.
Essa prática que o socialista vem adotando na administração
do Estado, a edição de MPs, já provoca reações da oposição
na Assembleia, de deputados que avaliam que o governo
não vem observando o pressuposto da MP, que é, cumulativamente,
urgência e relevância.
Assim, há deputados querendo proibir o uso do instrumento,
como o deputado Luciano Cartaxo (PT), outros tentando
barrar as matérias nas comissões da Casa, como o deputado
Janduhy Carneiro (PPS).
“O governador Ricardo Coutinho quer administrar através
de Medida Provisória”, criticou o deputado Janduhy Carneiro.
O deputado Janduhy Carneiro, presidente da CCJ, é autor
de parecer emitido no final do ano passado, contrário
à aprovação da MP 183/2011 (que institui a Secretaria
de Estado da Fazenda, fundindo as secretarias da Receita
e das Finanças) e MP 184/2011 (que define percentual
de cargos de provimento em comissão na administração
direta do Poder Executivo estadual, determinando o preenchimento
de pelo menos 20% dos cargos em comissão com servidores
efetivos).
Janduhy entende que as matérias são inconstitucionais
por inadequação, pois não estariam revestidas do caráter
de relevância e urgência, disciplinados pela Constituição
Estadual, no artigo 63, parágrafo 3°. “As matérias teriam
que ter vindo para a Casa como projeto de lei, não como
Medida Provisória”, avaliou.
As MPs ainda irão à votação em plenário, onde a bancada
do governo deverá ser orientada a se articular para
derrubar o parecer aprovado pela CCJ. Mas o procurador-geral
do Estado, Gilberto Carneiro, acredita que o parecer
emitido pelo deputado Janduhy Carneiro tem cunho “político,
não técnico”. “Ambas podem ser objeto de regulamentação
através de MPs e obedecem aos requisitos da relevância
e urgência”, assegurou.
O deputado Luciano Cartaxo já adiantou que vai votar
contra a MP que cria a Secretaria da Fazenda, por entender
que, quando houve o desmembramento da Secretaria da
Receita, houve o aumento de 50% na arrecadação. “É uma
retaliação ao Fisco por ter feito greve, uma medida
autoritária do governo que não consegue conviver com
o processo democrático”, desabafou.
O líder da oposição, André Gadelha (PMDB), disse que
o governo tem enviado MPs para a AL como quem manda
“iscas” para ver se as matérias emplacam. Contudo, o
parlamentar disse que a Assembleia tem aprovado as MPs
porque não é um instrumento inconstitucional. “Temos
que mudar a Constituição e limitar o número de MPs”,
disse.