Quer saber
como fiscalizar seu candidato; veja aqui.
26/12/09
- 06:40
A campanha pela aprovação do projeto que exige ficha
limpa para todos os postulantes a um cargo público não
acabou. O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral
(MCCE) já traça os planos para 2010. A ideia é pressionar
o Congresso Nacional a aprovar no próximo ano o projeto
de lei de iniciativa popular. Mas como haverá eleição
geral, em outubro, os integrantes da campanha alertam
a população a ficar de olho no passado dos candidatos,
utilizando-se de informações disponíveis especialmente
na internet.
Enquanto o projeto não sai do papel
e vira lei, o importante, diz o presidente da Associação
Brasileira de Combate à Corrupção e a Impunidade, Caio
Magri, é usar todos os recursos para levantar a ficha
dos candidatos nas eleições de 2010. “Um dos grandes
problemas do eleitor hoje em dia é ter acesso simples
e direto à informações sobre os candidatos a cargos
eletivos, principalmente para a população de baixa renda,
que não tem internet, mora na zona rural ou nas periferias
das cidades. Mas que tem acesso a essas informações
não pode ficar de braços cruzados”, defende.
Segundo ele, há um roteiro com três
passos importantes para avaliar o candidato. O primeiro
é saber se ele é transparente em relação a quem financia
sua campanha durante o período eleitoral, e não somente
depois, o que é uma obrigação exigida pela Justiça Eleitoral.
O segundo é tentar levantar o histórico da vida desse
candidato, se ele tem processos, se já foi condenado.
“Se estiver enrolado com a Justiça é mau sinal”, avalia
Magri. O terceiro, diz ele, é saber se, no exercício
de algum mandato, caso concorra à reeleição ou já tenha
exercido cargo público, o candidato cumpriu as promessas
feitas ao longo da campanha. “Antes de votar, pesquise
seu candidato. Entre nas páginas dos tribunais, veja
se ele tem processos, saiba quem foram os doadores nas
eleições passadas, caso ele esteja disputando a reeleição,
pesquise nas páginas dos jornais se ele apareceu em
alguma denúncia de corrupção. Fique de olho no passivo
e no passado”, alerta.
Votação
Mesmo em campanha para esclarecer a população e diante
das barreiras impostas pelos parlamentares ao projeto,
Magri é otimista em relação ao projeto de ficha limpa.
A proposta proíbe que condenados em primeira instância
por improbidade administrativa ou na área criminal disputem
as eleições antes da sentença final. Segundo ele, também
não foi fácil aprovar há dez anos a Lei nº 9.840, a
primeira de iniciativa popular, que estabeleceu penas
mais severas para a compra de voto. “A Lei nº 9.840
enfiamos goela abaixo, por isso é necessário que a gente
mantenha a mobilização e principalmente a pressão sobre
os deputados. A coleta de 1,5 milhão de assinaturas
foi só o primeiro passo”, alertou.
O Movimento de Combate à Corrupção
Eleitoral, que reúne cerca de 40 entidades — entre as
quais a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)
e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) — reuniu inicialmente
1,3 milhão de assinaturas, o que representa 1% do eleitorado
brasileiro, para apresentar o projeto. Mas a campanha
ganhou força e superou em mais de 200 mil o número de
apoios necessários. O Estado recordista em adesões foi
Minas Gerais com 317.386, seguido de São Paulo com 213.460
e do Paraná com 182.705. Novas assinaturas foram entregues,
além das que já tinham sido encaminhadas pelo movimento
em setembro.
O objetivo da mobilização agora é pressionar
os parlamentares a aprovar a proposta, tarefa nada fácil,
já que cerca de 50% dos atuais congressistas estariam
impedidos de concorrer se a Lei do Ficha Limpa já estivesse
em vigor. Quem quiser, pode entrar em contato com os
parlamentares, principalmente os líderes partidários,
por e-mail, pedindo atenção ao projeto. A lista de contatos
está disponível nos site da Câmara dos Deputados, onde
a proposta está sendo analisada inicialmente.
O Congresso entrou em recesso esta
semana sem ter pelo menos iniciado a discussão do projeto.
O MCCE espera dialogar com os líderes para que o assunto
entre na pauta e seja votado assim que o ano legislativo
começar. A promessa do presidente da Câmara dos Deputados,
Michel Temer (PMDB-SP), é pôr o projeto em votação ainda
em fevereiro.
Antes de votar, pesquise seu candidato.
Veja se ele tem processos. Fique de olho no passivo
e no passado
Caio Magri, presidente da Associação Brasileira de Combate
à Corrupção e à Impunidade
Fontes de informação
Dicas de sites para ficar de olho nos candidatos e nos
administradores públicos
www.portaltransparencia.gov.br
Permite consultar todos os convênios firmados pelas
prefeituras e governos estaduais com a União. A consulta
pode ser feita pelo nome do município ou pelo ministério.
É possível consultar também recursos repassados para
organizações não governamentais
www.cgu.gov.br
Nesta página é possível consultar os relatórios das
fiscalizações de municípios feitas por sorteio. Os relatórios
analisam todos os repasses da União para os municípios
e apontam as irregularidades encontradas.
www.tse.jus.br
Na página do Tribunal Superior Eleitoral, pode-se consultar
a prestação de contas de todos os candidatos desde as
eleições de 2000. A página traz também a declaração
de bens dos candidatos.
www.transparencia.org.br
Mantida pela ONG Transparência Brasil, o site traz o
histórico dos parlamentares brasileiros no Congresso,
nas assembleias, nas câmaras de capitais e também dados
sobre os governadores. Relaciona reportagens sobre escândalos
de corrupção. Ajuda a avaliar editais de licitação,
contém dicas para montar uma ONG de transparência e
controle social nos municípios e relatórios feitos pela
ONG sobre o trabalho dos legislativos.
www.tcu.gov.br
Pelo portal do Tribunal de Contas da União, é possível
pesquisar todos os citados nos processos em tramitação.
Pode-se verificar se autoridades ou empresas públicas
são alvo de questionamentos e investigações sobre mau
uso de recursos públicos.
www.contasabertas.uol.com.br
Faz o acompanhamento dos gastos públicos de todos os
poderes da União. O portal oferece cursos online gratuitos
sobre execução orçamentária e disponibiliza dados das
transferências feitas pela União para estados, municípios,
ONGs, fundações e autarquias.
www.sigabrasil.gov.br
É um sistema de informações que permite a qualquer indivíduo,
por meio da internet, acesso amplo a diversas bases
de dados sobre planos e orçamentos públicos federais.
Reúne dados do Sistema de Administração Financeira Integrada
(Siafi) e oferece uma ferramenta simples para elaboração
de consultas.
http://vlex.com
Por meio desse site é possível localizar os acórdãos
(decisões judiciais) relativos a processos já publicados
em todas as instâncias da Justiça brasileira. É preciso
apenas o nome completo da pessoa.