Partidos
reagem à decisão de Aécio de se afastar de pré-candidatura
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21/12/09
- 06:16
da Agência Brasil
Brasília - A decisão do governador
de Minas Gerais, Aécio Neves, de se afastar da disputa
à pré-candidatura pelo PSDB à Presidência da República
mexeu com o tabuleiro da sucessão nos partidos envolvidos
diretamente na campanha presidencial. O PSB, que tem
o deputado Ciro Gomes (CE) como pré-candidato, já prepara
uma ofensiva no segundo maior colégio eleitoral do país
com o objetivo de melhorar a situação do parlamentar
nas pesquisas.
“Estamos convictos de que haverá uma
reação de parte da população que apostava na candidatura
de Aécio Neves e, agora, se sente novamente afastada
das decisões da política nacional desde 1955”, disse
à Agência Brasil o vice-presidente nacional do PSB,
Roberto Amaral. Ele acrescentou que o partido já vem
fazendo “intervenções políticas e táticas” para ocupar
ao máximo o espaço deixado por Aécio Neves em Minas
Gerais.
No PSB, a avaliação é de que dificilmente
o governador aceite ser candidato a vice-presidente
numa eventual dobradinha com José Serra, governador
de São Paulo. Roberto Amaral acrescentou que, com a
decisão anunciada na semana passada, mesmo que Aécio
Neves se integre à campanha de Serra, “não conseguirá
desfazer a convicção de parte da população que se sente
desassistida e desamparada por ele”.
Já no PT, a palavra de ordem é prudência
e o partido continuará a trabalhar com dois cenários
nas pesquisas de opinião até junho, quando serão realizadas
as convenções nacionais: uma com a candidatura tucana
de Aécio Neves e outra com a de José Serra. “Caso o
Serra comece a ficar preocupado com o seu desempenho
nas pesquisas e decida ser candidato à reeleição por
São Paulo, o PSDB, se conversar bem com o Aécio, acredito
que ele reveja sua posição e saia candidato”, disse
o presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP).
Outra estratégia para alavancar a candidatura
de Dilma Rousseff em Minas Gerais é trabalhar ao máximo
a formalização da coligação PT-PMDB no estado. Nesse
sentido, Berzoini afirmou que no início de março os
dois partidos se reunirão para analisar qual dos pré-candidatos
ao governo mineiro tem melhor condição de se eleger.
O sonho do PT é trabalhar uma aliança que possa unir
os petistas Patrus Ananias e Fernando Pimentel e os
peemedebistas Hélio Costa e José Alencar, que deixaria
a Vice-Presidência para candidatar-se a uma vaga ao
Senado.
Amigo pessoal do governador de Minas,
o ministro do Trabalho e representante do PDT no governo,
Carlos Lupi, avalia que só em março será possível ter
um cenário claro sobre como caminhará o PSDB na sucessão
presidencial. “Não está nada definitivo. O Aécio deu
um xeque-mate e não vejo, pelo que tenho conversado
com ele, a disposição de ser vice do governador Serra.
Ele vai esperar e, até março, se dedicar à campanha
do Anastásia [Antonio Augusto Anastásia, vice-governador]
ao governo de Minas”.
No PSDB, o movimento é para, a partir
de janeiro, tentar ao máximo um processo de aproximação
entre José Serra e Aécio Neves para tentar o que o partido
chama de chapa "puro-sangue". A vice-presidente
do partido, Marisa Serrano (MS), ressaltou que caberá
ao presidente tucano, Sérgio Guerra (PE), conduzir pessoalmente
esse processo, já que tem bom trânsito com os dois e,
por isso, “será a válvula mestra nessa costura”.
O DEM, aliado tradicional, apenas acompanha
o desenrolar da costura interna entre os tucanos. “Trabalhamos
com uma perspectiva de vitória. Não há, no partido,
a ambição de indicar o vice-presidente, mas de colaborar
com a possibilidade real de elegermos o presidente”,
afirmou o líder do partido no Senado, José Agripino
Maia (RN).