Deputado estadual cogita deixar a legenda caso a candidatura
de Cícero Lucena ao governo seja oficializada
Lívia Falcão // liviafalcao.pb@dabr.com.br
"Se Cícero for candidato a governador,
eu não serei candidato, deixarei o PSDB para ter o pleno
direito de estar nos palanques de Ricardo Coutinho",
declarou ontem o deputado estadual, Zenóbio Toscano
numa primeira reação pública após a reunião realizada
em Recife com o presidente do partido, Sérgio Guerra.
O parlamentar também estimou que a reunião com o governador
paulista, José Serra aconteça até a próxima sexta-feira,
apenas com senador Cícero Lucena e o ex-governador Cássio
Cunha Lima.
Mais cauteloso, o deputado federal
Rômulo Gouveia porta-voz do bloco que defende a proposta
de "união das oposições" manifestou preocupação
com o isolamento da legenda na Paraíba que para ele
também pode prejudicar os candidatos ao Senado e à Presidência.
De acordo com Rômulo durante a reunião "não houve
qualquer discussão áspera, houve um debate. Num primeiro
instante uma má interpretação de Cícero". E continuou:
"Nós estamos preocupados no projeto com a preservação
de seu mandato (Cícero), mas quando eu falava de preservação,
falamos em futuro, daqui a quatro anos", explicou
o tucano ao esclarecer que o partido não havia optado
pela candidatura própria este ano durante a reunião
em Natal.
Rômulo avalia como saudável a defesa
de teses diferentes - de candidatura própria ou união
das oposições, mas acha que o partido não pode mais
esperar. "Eu pedi para o senador Guerra que antes
do Carnaval nós coloquemos o bloco na rua. Estamos trabalhando
e eu espero que prevaleça o bom senso e a vontade do
povo" alerta o parlamentar.
Pressão
Diferente do PSDB, o PTB de Armando
Abílio, uma das legendas pioneiras no apoio à candidatura
de Ricardo Coutinho continua a pressionar seu candidato
ao Governo para formação da chapa que disputará a preferência
dos eleitores em outubro. Além de Abílio, os trabalhistas
Fábio Tayrone e Edvaldo Caetano da Silva, prefeitos
de Sousa e Catolé do Rocha, defendem que a sigla "merece
mais espaço".
Ontem Ricardo afirmou que não tem pressa
para compor a chapa e mandou seu recado apelando para
maturidade de seus aliados. "Nós temos que construir
caminhos. Todos aqueles que querem o sucesso sabe que
na majoritária ganha aquele que juntar mais votos. Pra
juntar forças você precisa do apoio popular e político-partidário.
Nós todos somos oposição e precisamos unir forças. É
hora de construir, temos de ter o espírito convergente".
Sobre a polêmica em torno do palanque
de José Serra na Paraíba. Ricardo Coutinho afirmou que
"o PSB tem um candidato que se chama Ciro Gomes,
mas se o meu partido optar por Dilma Rousseff eu o seguirei".
E arrematou: "Devemos dar continuidade ao projeto
de Lula. E os nossos aliados sabem disso".
Já nos bastidores, comenta-se que Armando
Abílio pode se reunir com Cícero Lucena na próxima semana.
Na pauta, a disposição do suplente de senador, Carlos
Dunga (PTB) para integrar a suposta chapa majoritária
do PSDB, em torno de Cícero. É bom lembrar que oficialmente
o nome de Dunga está à disposição do PSB de Ricardo.