Lula deve
intervir em aliança com PMDB apenas em 2010.
27/11/09
- 06:01
Uma eventual intervenção do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, ou de sua candidata à sucessão
de 2010, ministra Dilma Rousseff, para resolver problemas
que ameaçam os acordos estaduais entre PT e PMDB deve
ocorrer apenas no ano que vem.
A avaliação é de políticos do governo,
para os quais uma atuação agora - com o cenário eleitoral
ainda obscuro e suscetível às mais variadas mudanças
- não resolveria os impasses domésticos, obstáculos
à consolidação de uma aliança.
"Em algum momento precisaremos
do presidente e da ministra, mas não vejo necessidade
agora", disse o presidente do PT, Ricardo Berzoini
(PT-SP). "É algo para o começo do ano."
O líder do PMDB na Câmara, Henrique
Eduardo Alves (RN), defendeu atuação do presidente ou
de Dilma para solucionar entraves regionais, mas uma
fonte do PMDB disse, sob condição do anonimato, que
isso não é uma demanda da cúpula peemedebista e que
"não é a hora para resolver isso".
Seis obstáculos
A convenção peemedebista ocorre em
junho e é a instância máxima para chancelar a coligação.
O risco é não amarrar compromissos a tempo e ficar sem
esses votos dos convencionais.
Os seis Estados mais estratégicos -
portanto, os de maior peso na convenção - não estão
pacificados e oferecem alto grau de dúvidas quanto ao
crivo à aliança.
Rio de Janeiro e Minas Gerais têm o
maior peso na convenção, com 80 votos no primeiro e
68 votos no segundo, conforme levantamento do partido.
Em seguida, vem o Paraná, com 63 votos. Lá, o governador
Roberto Requião (PMDB) deve lançar seu vice, enquanto
o PT cogita apoiar nome do PDT. No Ceará, que tem 51
votos, o problema não é para o governo, mas quem disputará
as duas vagas no Senado.
Rio Grande do Sul (50 votos) e Santa
Catarina (49) configuram terrenos quase intransponíveis
para Dilma. Em ambos, o PMDB pretende ficar ao lado
do governador José Serra (PSDB), provável candidato
da oposição, importando menos a eventual intervenção
de Lula ou da própria candidata.
Racha
Fora esses, há pelo menos outros oito
Estados em que a convivência não vai bem. Em São Paulo,
por exemplo, há um racha. Enquanto o presidente regional
da legenda, Orestes Quércia, deseja ficar com José Serra,
o presidente da Câmara, Michel Temer, é cotado para
a vice de Dilma.
O Estado, nono lugar em termos de influência
na convenção, provavelmente seguirá dividido, gerando
a busca pelo voto a voto. Essa solução pode ser repetida
nos locais onde não houver consenso com o PT.