Home Favoritos Fale conosco Webmail
POLÍTICA
Após ''mensalão do DEM'', Lula propõe pena maior para corrupção.
10/12/09 - 06:45

Projeto a ser enviado transforma prática, assim como peculato e concussão, em crimes hediondos e inafiançáveis

Tânia Monteiro e Lisandra Paraguassú, BRASÍLIA

Quatro anos depois de estourar o escândalo do mensalão petista, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou o "mensalão do DEM", que envolve o governador José Roberto Arruda (DF), para anunciar que vai enviar ao Congresso uma proposta de lei para transformar em hediondos os crimes de corrupção passiva e ativa, peculato e concussão, tornando-os inafiançáveis, se forem praticados por autoridades. O anúncio foi feito em solenidade pelo Dia Internacional Contra a Corrupção, mas o ambiente foi de exploração política do escândalo do Democratas, como já havia acontecido na noite anterior, durante a festa dos 30 anos do PT.

O próprio presidente admitiu que, "obviamente", não será uma nova lei que acabará com a corrupção no País. "Tem país que tem pena de morte e assim mesmo as pessoas continuam praticando corrupção", afirmou. Como se estivesse discursando num palanque, sempre usando palavras duras e comparações populares, Lula disse que a proposta é "mais um degrau no combate à safadeza com o dinheiro público".

O presidente admitiu que vai promover o governo levando a proposta, lançada ontem, para a reunião de cúpula do G-20, em março de 2010, como exemplo do que o País vem fazendo para combater a corrupção entre os dirigentes públicos.

Lula fez referência às duas semanas de noticiário sobre o "mensalão do DEM", na capital federal - com vídeos mostrando deputados da base de Arruda carregando dinheiro nos bolsos e em bolsas, em meias e até na cueca. Ele disse que "como Presidente da República (prefere) que saiam manchetes para a gente poder investigar, do que não sair nada e a gente continuar sendo roubado, e não saber o que está acontecendo neste País." No caso do mensalão petista, o presidente sempre se queixou de uma suposta precipitação da mídia em noticiar os casos de corrupção, dizendo que os jornais estavam ajudando a condenar pessoas que podiam ser inocentes.

Na terça-feira, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), pré-candidata do PT para disputar a sucessão de Lula, falou do "esquema" do DEM, dizendo que as imagens dos vídeos com a distribuição da propina pelos secretários e deputados distritais que apoiam o governo Arruda são "estarrecedoras". Fez os comentários na festa em que foram homenageados líderes e ex-presidentes do PT, inclusive mensaleiros como José Dirceu, José Genoino e João Paulo Cunha.

O ministro Jorge Hage, da Controladoria Geral da União (CGU), organizador da solenidade, aproveitou para promover o Planalto. Tratando a CGU como um órgão de governo, e não de Estado, Hage fez discurso de quase uma hora, entremeado com 14 vídeos e três dezenas de depoimentos elogiosos às ações da Controladoria.

Desde 2003, na posse do governo Lula, até 2005, quando estourou o escândalo do mensalão petista, a CGU não produziu uma só investigação sobre as verbas públicas do governo que renderam as propinas que abasteciam a base aliada do Planalto.

Ontem, Lula comparou corrupção às drogas por causa do jeito silencioso como se espalham, mas também para justificar a corrupção que o governo nem sempre conseguiria detectar e combater.

"Às vezes, a corrupção é como uma droga. Tem um pai que vê na televisão um adolescente sendo pego por droga, ele acha que é só o filho dos outros que tem droga. Ele não sabe que o filho dele está queimando um "baseadinho" no quarto. A corrupção é assim. Às vezes, ela está dentro da tua casa, ela está na tua porta e você não sabe", justificou o presidente.

"CARA DE ANJO"

Lula acrescentou que a corrupção "é uma coisa difícil de descobrir". E explicou: "Às vezes, o corrupto é o que tem a cara mais de anjo."

O projeto com a nova lei de combate à corrupção prevê aumento da pena mínima para casos de corrupção ativa e passiva, peculato e concussão (quando o servidor pede vantagens para cumprir sua função) de dois para quatro anos para funcionários públicos de todas as esferas de poder, federal, estadual e municipal. No caso de autoridades com poder decisório e ocupantes de cargos elegíveis, o projeto eleva a pena mínima para oito anos, o crime se torna hediondo, portanto inafiançável, e abre possibilidade para prisão temporária de até 60 dias. Se encaixam nesses casos governadores, prefeitos, vereadores, deputados, senadores, presidentes e diretores de estatais, entre outros cargos de comando.

"(Para) quem mata um tatu, uma paca, o crime é inafiançável. Para o cidadão que rouba o equivalente para comprar um milhão de pacas, o crime não é hediondo?", questionou Lula, para mostrar que a lei é um caso de justiça.

Estadao

  EM DESTAQUE
Pedro Régis
 
 

 

 
Se você fosse prefeito na sua cidade, em que mais investiria?
Educação
Criação de empregos
Infraestrutura
Agricultura
Saúde
Não sei, não saio de casa
Votar   
resultado parcial...
© 2008 - ovalenews.com.br - Paraíba - Brasil
Contato Administrativo e Comercial - redacao@ovalenews.com.br - Desenvolvido por: RFDesigner