Levantamento do Sinpol também aponta déficit de 6,5
mil agentes e destaca más condições de trabalho
Levantamento divulgado ontem pelo Sindicato dos Policiais
Civis e da Segurança Pública do RN (Sinpol/RN), aponta
que o RN tem um déficit de 6.568 policiais civis e que
77,3% dos municípios do estado não têm a presença da
Polícia Civil. Em audiência pública realizada ontem
na Assembleia Legislativa para discutir as condições
de trabalho dos policiais civis, a presidente do sindicato,
Vilma Marinho Cezar, também afirmou que há 627 presos
ocupando 54 celas das delegacias de Natal e Grande Natal.
Durante a audiência, os policiais também
denunciaram más condições de trabalho nas delegacias,
como sujeira, mofo, degradação, celas superlotadas,
fachadas mal iluminadas, falta de equipamentos modernos
e viaturas sucateadas. Na 1ª DP de Parnamirim, 100 presos
dividem as seis celas existentes. "Cada cela possui
capacidade para abrigar quatro presos e no momento estamos
com uma média de 17 em cada cela", informou um
policial do local. Além disso, os 45 boletins de ocorrência
registrados diariamente têm que ser escritos àmão por
falta de equipamentos capazes de realizar essa atividade.
Nas delegacias de plantão das zonas Sul e Norte, o único
meio de comunicação existente entre os policiais são
seus próprios aparelhos celulares, pois não dispõe de
rádios para essa finalidade.
Comida
Segundo a presidente do Simpol, Vilma
Marinho Cezar, a comida ofertada à categoria não possui
os mínimos nutrientes necessários para que os policiais
tenham força para aguentar as 24 horas de plantão.
Ela conta que há desvio de função dos
agentes da polícia em decorrência da enorme quantidade
de presos que lota as celas das delegacias, vivendo
em condições desumanas. "Houve caso de um preso
que ficou tetraplégico, sem capacidade de se alimentar
sozinho e os policiais tiveram que cuidar dele até que
alguma providência fosse tomada. Depois de um tempo
ele foi transferido mas os outros permaneceram no mesmo
local", aponta a presidente do Sinpol.
Para ela, o desvio de função do policial
civil reflete sobre a população e atinge o próprio profissional.
"Os cidadãos perdem porque o policial fica incapacitado
de sair da delegacia para não largar os presos sozinhos
e o profissional trabalha desmotivado, sem segurança
para ele e exercendo uma atividade que não lhe é atribuída",
explica.
"Pocilga"
Para o deputado Paulo Davim (PV/RN),
que presidiu a audiência pública de ontem, o problema
da limpeza das delegacias é de caráter emergencial.
"As delegacias estão parecendo um depósito de lixo
e os presos estão vivendo em uma verdadeira pocilga.
Houve uma piora considerável nesses aspectos e o estado
deve dar condições dignas de trabalho a esses profissionais,
pois essa situação põe em risco a vida do policial e
representa uma agressão aos cidadãos".