Mãe espera
há seis anos esclarecimento sobre morte de filho carbonizado
um dia após ser preso .
24/05/09
- 07:47
Marco Antonio Soalheiro
Enviado Especial
Vila Velha (ES) - Quase seis anos depois,
a morte de um jovem de 18 anos encontrado com o corpo
carbonizado um dia após ser preso no Departamento de
Polícia Judiciária (DPJ) de Vila Velha segue sem esclarecimentos
por parte das autoridades competentes.
Tiago Luiz Oliveira, 18 anos, foi preso
por porte ilegal de arma no dia 5 de dezembro de 2003.
Sua irmã foi à delegacia às 22 horas e foi informada
por policiais de que ele tinha sido liberado.
No dia seguinte, o corpo de Tiago foi
encontrado na Barra do Jucu, num local que, segundo
a Associação de Mães e Familiares de Vítimas de Violência
do Espírito Santo (Amafavv/ES), é usado como desova
de grupos de extermínio e esquadrões da morte.
Em fevereiro de 2004, o secretário
de Segurança, Rodney Miranda, afastou dois delegados
e 31 policiais civis que estavam no DPJ na noite em
que Tiago desapareceu. O inquérito, entretanto, não
foi concluído, o que motivou um pedido de federalização
protocolado pela Amafavv/ES no Ministério Público Federal
no Espírito Santo.
O pedido enfatiza que a Polícia Civil
não tem “isenção suficiente para ficar à frente das
investigações”. A mãe de Tiago, Raimunda Oliveira, disse
só manter as esperanças de ver a morte do filho esclarecida
pela “Justiça Divina”. A família suspeita que a morte
tenha sido planejada e executada por policiais civis
que tinham "implicância com Tiago".
A assessoria de imprensa da Polícia
Civil do Espírito Santo disse não ter informações sobre
o inquérito. O delegado da DPJ foi consultado pela assessoria,
mas também alegou desconhecer o caso, ocorrido quando
ele não trabalhava na unidade.