Uma em cada seis crianças nascidas no estado não possui
registro de nascimento, segundo levantamento
Emerson Cunha // emersoncunha.pb@dabr.com.br
Das necessidade mais básicas aos direitos
mais concretos, a identificação oficial do ser humano
é sistematicamente necessária. O atendimento no hospital
público, a matrícula na escola, o trabalho formal, a
possibilidade de votar, para todos eles o reconhecimento
formal do estado, feita através dos registros de nascimento,
é o alicerce. Cerca de 17% dos cidadãos paraibanos,
isto é, um a cada seis, no entanto, não tem acesso a
esses direitos, pois não foram registrados ao nascer.
A estimativa é da Secretaria Nacional de Direitos Humanos
que foram repassados pela Secretaria de Desenvolvimento
Humano do Estado, repassados no dia de ontem ao Ministério
Público da Paraíba.
A situação é conhecida como "sub-registro",
isto é, a condição de alguém de viver em marginalidade
ao registro oficial. Em municípios do estado, a situação
dos "sub-registrados" é ainda mais agravante,
pois chega a mais da metade da população. É o caso de
Areia de Baraúna, cidade a mais de 250 km da capital,
onde o índice de não-registrados chega a 53,5%. Além
disso, a Paraíba apresentou a penúltima pior colocação
no Nordeste no que diz respeito a trabalhos de erradicação
do sub-registro. A queda foi de 27,9% para 16,8%, entre
2000 e 2007, diferença de apenas 11,1%, acima apenas
do estado de Sergipe, em que o índice passou de 24,6%
para 23,8%. Segundo o coordenador do Centro Operacional
de Apoio às Procuradorias (1º Caop), o promotor Ádrio
Leite, a situação é decorrente de uma série de fatores,
mas, em especial, dois se destacam. "Há muita desinformação.
Acredito que o ponto central desse problema é a desinformação
e a falta de articulação do poder público.", salientou
o promotor. "Para você ver, tinha gente que acreditava
que a certidão de nascimento era paga para tirar. Há
pouco tempo que as pessoas começaram a se informar que
o registro era gratuito" Atualmente, as maternidades
são obrigadas a realizar uma declaração de nascimento,
um documento oficial anterior à própria certidão, que
pode ser retiradagratuitamente.
Para que o acesso aos direitos básicos
e à cidadania seja garantido, não é necessário apenas
aumentar ou assegurar o registro de nascimento logo
ao nascer, com uma aproximação maior dos cartórios com
os estabelecimentos de saúde, como apontou o promotor
Ádrio Leite. O mais grave problema são os adultos que
ainda não possuem o registro. Por isso, o 1º Caop redigiu
um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para assegurar
que as prefeituras realizem trabalhos para reverter
a situação.
O modelo do TAC será disponibilizado
aos os promotores de Justiça para que eles acionem os
prefeitos. Órgãos municipais deverão trabalhar os cidadãos
que não possuem registro, através de ações de grupos
especiais, e também através de órgãos que detem maior
contato com a população, como Centros de Referência
de Assistência Social, o Programa Brasil Alfabetizado
e Saúde da Família.