Operação resultou na prisão de 20 pessoas que fraudaram
entre 2004 e 2008 mais de R$ 130 mi dos cofres públicos
Jailma Simone // jailmasimone.pb@dabr.com.br
Polícia Federal desarticula quadrilha
acusada de fraudar licitações públicas e desviar mais
de R$ 100 milhões dos cofres públicos. De acordo com
José Honorato de Souza, delegado da Receita Federal,
a organização criminosa sonegou mais de R$ 130 milhões
entre os anos de 2004 e 2008, somente em tributos federais.
"Uma única empresa chegou a faturar cerca de R$
700 mil e foram pagos apenas R$ 1.000 de tributos",
informou.
A operação denominada Transparência,
formada pelos Ministérios Público Federal e Estadual,
Controladoria Geral da União, Receita Federal e Tribunal
de Contas da União, prendeu 20 pessoas. Entre elas,
três funcionários da Fundação Nacional de Saúde (Funasa),
dois funcionários da prefeitura de João Pessoa - ligadas
a Secretaria Municipal de Educação, e um funcionário
da prefeitura de Caaporã. Os demais são contabilistas
e empresários. As cidades de atuação do grupo eram Diamante,
Juripiranga, São Miguel de Taipú, Casseregue e João
Pessoa.
Durante a operação, deflagrada na manhã
de ontem, foram cumpridos 36 mandados de busca e apreensão,
além das 20 prisões temporárias. As investigações começaram
em julho desse ano a partir de informações coletadas
pelo Grupo de Combate ao Crime Organizado (GAECO) através
da quebra dos sigilos bancário, telefônico e fiscal.
Levantamentos realizados durante as
investigações mostraram que a atuação da quadrilha focava
em obras e serviços públicos desde 2004. A maior parte
dos recursos destinados às construções eram oriundos
do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Segundo
Sinomar Neto, superintendente da Polícia Federal na
Paraíba, o dinheiro desviado era de convênios federais
firmados com o Ministério da Saúde, por meio da Fundação
Nacional de Saúde (Funasa). "Havia muita facilidade
para execução do crime porque as verbas não eram fiscalizadas
com rigor e os servidores envolvidos no esquema eram
os mesmo a realizar as fiscalizações", afirmou.
Por enquanto, as investigações não
apontam participação de gestores ou parlamentares envolvidos
no esquema. Entre os 20 acusados, três mulheres que
também foram presas. Logo após o exame de corpo de delito,
os presos foram encaminhados ao Centro de Educação da
Polícia Militar, em Mangabeira. As presas, ficaram custodiadas
na Superintendência de Polícia Federal na Paraíba, no
bairro da Torre.
As investigações revelam que o grupo
atuava na constituição de empresas fantasmas para fraudar
concorrências públicas. A Operação Transparência visou
desrticular a célula criminosa, prosseguindo para apurar
os desvios e fraudes realizadas desde 2004, bem como
os respectivos responsáveis. As licitações vencedoras
pela quadrilha constava de inúmeras obras espalhadas
no estado da Paraíba.
Os acusados responderão por crime contra
a ordem tributária, corrupção ativa e passiva, lavagem
de dinheiro e falsificação de documento. "Nessa
primeira etapa buscamos 'atacar' o grupo. Em seguida
vamos focar na distribuição das verbas", contou
Sinomar Neto.