Hospital registra um aumento mensal de 30% nos casos
de internação por entorpecentes
Lucilene Meireles // lucilenemeireles.pb@diariosassociados.com.br
"Ainda é tempo de retornar ao
berço familiar. Espero que todos os dependentes tenham
a mesma sorte que eu tive, de olhar para trás e saber
que tudo já passou; e olhar para a frente, e ter a certeza
de que existe um futuro lindo". As palavras são
do estudante Jefferson Nascimento, 22, que segundo ele
mesmo garante, está livre do crack. A droga, que entrou
na vida do jovem através da influência de más amizades,
levou-o a enfrentar diversos obstáculos como o preconceito
nas ruas, o abandono da escola e a dificuldade em encontrar
um emprego. Sua vida começou a mudar quando passou a
frequentar a igreja e voltou para a escola, onde está
concluindo o ensino médio. Em processo de recuperação,
hoje está internado no Complexo Psiquiátrico Juliano
Moreira, onde tem recebido forte apoio psicológico e
social, o que tem colaborado para sua reabilitação.
"O tratamento aqui é muito bom e os profissionais
são bastante atenciosos. Só sinto falta da minha família
por perto, mas eles têm vindo me visitar todos os dias",
disse.
Jeferson Nascimento é uma das
199 pessoas internadas no Juliano Moreira devido ao
uso abusivo de tóxicos Foto: Fabyana Mota/ON/D.A Press
O processo é difícil e é necessário ter muita força
de vontade. Na Paraíba, muitos jovens, adultos e até
crianças vivem o mesmo drama. Assim como Jefferson,
de junho a setembro deste ano, 199 pessoas foram internadas
no local em virtude do uso abusivo de drogas e álcool,
de acordo com a Estatística de Substâncias Psicoativas
do Complexo Psiquiátrico Juliano Moreira. O número de
pacientes internos pelo mesmo motivo vem crescendo e
este é um dado preocupante. Há meses em que o número
de entradas de pacientes chegou a 30 e até 40, o que
representa um aumento médio mensal de 30%. O número
de internações por álcool e drogas já chegou a superar
em 20% o de transtornos mentais. Cerca de 30% dos pacientes
estão internados atualmente em razão do consumo de bebidas
alcoólicas e substâncias químicas, e a maioria tem idade
entre 20 e 30 anos.
Maioria dos usuários tem de 20 a 30
anos
As mulheres estão inseridas nestes
percentuais. A média mensal de internação delas por
uso de álcool chega a 5. Entreos homens, este índice
é de 23. No caso de outras drogas, a média feminina
é de 5, e dos homens, 21,1. O mais grave, segundo o
psicólogo Wandemberg Mota Machado, que atende aos pacientes
no Juliano Moreira, é que têm chegado crianças de apenas
dez anos, viciadas em algum entorpecente. Estas crianças,
jovens e adultos dependentes de drogas podem vir a ter
transtornos mentais no futuro.
E os problemas decorrentes do uso de
drogas são muito maiores. O álcool, por exemplo, prejudica
as células nervosas. Os usuários podem ter comprometimento
renal e hepático, além de correr o risco de desenvolver
deficiência de algumas vitaminas. A falta dessas substâncias,
importantes para o bom funcionamento do organismo, é
capaz de desencadear uma série de problemas de saúde.
Rede
O Estado possui atualmente 54 Centros
de Atendimento Psicossocial (Caps) implantados sendo
31 Caps I (que funcionam 24 horas) nove Caps II (que
atendem aos transtornos mentais e são implantados nos
municípios com até 20 mil habitantes), 2 Caps III (que
têm o mesmo objetivo do Caps II, e que funcionam nos
municípios acima de 20 mil habitantes), 7 Caps-I (infantil)
e 5 Caps-AD (álcool e drogas). Existem 16 novos Caps
em fase de implantação.