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PARAÍBA
Luta constante contra as drogas.
19/10/09 - 06:03

Hospital registra um aumento mensal de 30% nos casos de internação por entorpecentes
Lucilene Meireles // lucilenemeireles.pb@diariosassociados.com.br

"Ainda é tempo de retornar ao berço familiar. Espero que todos os dependentes tenham a mesma sorte que eu tive, de olhar para trás e saber que tudo já passou; e olhar para a frente, e ter a certeza de que existe um futuro lindo". As palavras são do estudante Jefferson Nascimento, 22, que segundo ele mesmo garante, está livre do crack. A droga, que entrou na vida do jovem através da influência de más amizades, levou-o a enfrentar diversos obstáculos como o preconceito nas ruas, o abandono da escola e a dificuldade em encontrar um emprego. Sua vida começou a mudar quando passou a frequentar a igreja e voltou para a escola, onde está concluindo o ensino médio. Em processo de recuperação, hoje está internado no Complexo Psiquiátrico Juliano Moreira, onde tem recebido forte apoio psicológico e social, o que tem colaborado para sua reabilitação. "O tratamento aqui é muito bom e os profissionais são bastante atenciosos. Só sinto falta da minha família por perto, mas eles têm vindo me visitar todos os dias", disse.


Jeferson Nascimento é uma das 199 pessoas internadas no Juliano Moreira devido ao uso abusivo de tóxicos Foto: Fabyana Mota/ON/D.A Press

O processo é difícil e é necessário ter muita força de vontade. Na Paraíba, muitos jovens, adultos e até crianças vivem o mesmo drama. Assim como Jefferson, de junho a setembro deste ano, 199 pessoas foram internadas no local em virtude do uso abusivo de drogas e álcool, de acordo com a Estatística de Substâncias Psicoativas do Complexo Psiquiátrico Juliano Moreira. O número de pacientes internos pelo mesmo motivo vem crescendo e este é um dado preocupante. Há meses em que o número de entradas de pacientes chegou a 30 e até 40, o que representa um aumento médio mensal de 30%. O número de internações por álcool e drogas já chegou a superar em 20% o de transtornos mentais. Cerca de 30% dos pacientes estão internados atualmente em razão do consumo de bebidas alcoólicas e substâncias químicas, e a maioria tem idade entre 20 e 30 anos.

Maioria dos usuários tem de 20 a 30 anos

As mulheres estão inseridas nestes percentuais. A média mensal de internação delas por uso de álcool chega a 5. Entreos homens, este índice é de 23. No caso de outras drogas, a média feminina é de 5, e dos homens, 21,1. O mais grave, segundo o psicólogo Wandemberg Mota Machado, que atende aos pacientes no Juliano Moreira, é que têm chegado crianças de apenas dez anos, viciadas em algum entorpecente. Estas crianças, jovens e adultos dependentes de drogas podem vir a ter transtornos mentais no futuro.

E os problemas decorrentes do uso de drogas são muito maiores. O álcool, por exemplo, prejudica as células nervosas. Os usuários podem ter comprometimento renal e hepático, além de correr o risco de desenvolver deficiência de algumas vitaminas. A falta dessas substâncias, importantes para o bom funcionamento do organismo, é capaz de desencadear uma série de problemas de saúde.

Rede

O Estado possui atualmente 54 Centros de Atendimento Psicossocial (Caps) implantados sendo 31 Caps I (que funcionam 24 horas) nove Caps II (que atendem aos transtornos mentais e são implantados nos municípios com até 20 mil habitantes), 2 Caps III (que têm o mesmo objetivo do Caps II, e que funcionam nos municípios acima de 20 mil habitantes), 7 Caps-I (infantil) e 5 Caps-AD (álcool e drogas). Existem 16 novos Caps em fase de implantação.


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