Bancários
fecham Bradesco e greve continua forte na PB.
06/10/09
- 06:02
Nesta segunda-feira, 5 de outubro,
o comando de greve dos bancários na Paraíba concentrou
o piquete na porta da Agência Centro do Bradesco, para
fortalecer o movimento nacional e forçar uma negociação
com os banqueiros.
Utilizando carro de som, faixas, cartazes
e uma orquestra de frevos, os bancários se concentraram
na porta da agência Centro do Bradesco, na capital paraibana
e fizeram uma manifestação contra a intransigência dos
banqueiros. Tudo de acordo com as orientações do Comando
Nacional dos Bancários, que esperam ter ainda mais fôlego
para forçar uma negociação favorável com a representação
dos bancos.
Para Marcos Henriques, o momento é
estratégico para se forçar uma negociação com os banqueiros.
“E, como o Bradesco é o principal banco privado que
vem emperrando as negociações com o Comando Nacional,
está mais do que na hora de radicalizarmos e superarmos
todas as dificuldades, inclusive os interditos e a tropa
de choque, para arrancar as nossas conquistas na luta”,
disse.
Sobre o fato de Bradesco e Itaú Unibanco
se utilizarem dos interditos proibitórios e da pressão
da Tropa de Choque da Polícia Militar da Paraíba para
reprimir a greve dos bancários, Marcos Henriques enfatizou:
“os bancos têm os seus instrumentos de pressão e nós
temos que utilizar outras estratégias para conseguir
nossas reivindicações; uma delas é cruzar os braços,
mobilizar os bancários através do convencimento e fazer
atos públicos que expliquem à sociedade o que está acontecendo,
ou seja, que a greve dos bancários acaba quando os bancos
apresentarem uma proposta que atenda às expectativas
da categoria”, concluiu.
Os bancários vão continuar a greve
por:
- Reajuste de 10% do salário. Os bancos
ofereceram 4,5%, apenas a reposição da inflação dos
últimos doze meses, enquanto outras categorias de trabalhadores
de setores econômicos menos lucrativos estão conquistando
aumento real de salário.
- PLR maior. Os bancos querem reduzir
PLR para aumentar lucros. Os bancários querem uma PLR
simplificada, equivalente a três salários mais R$ 3.850
fixos. Os banqueiros propuseram 1,5 salário limitado
a 4% do lucro líquido mais 1,5% do lucro líquido distribuído
linearmente, com limite de R$ 1.500. Essa fórmula reduz
o valor da PLR paga no ano passado. Em 2008, os bancos
distribuíram de PLR até 15% do lucro líquidomais parcela
adicional relativa ao aumento da lucratividade que chegou
a R$ 1.980. Neste ano querem limitar o total da PLR
distrubuida aos bancários a 5,5% do lucro líquido e
a R$ 11.500.
- Valorização dos pisos salariais.
A categoria reivindica pisos de R$ 1.432 para portaria,
R$ 2.047 (salário mínimo do Dieese) para escriturário,
R$ 2.763,45 para caixa, R$ 3.477,00 para primeiro comissionado
e R$ 4.605,73 para primeiro gerente. Os bancos rejeitam
a valorização dos pisos e propõem 4,5% de reajuste para
todas as faixas salariais.
- Preservação dos empregos e mais contratações.
Seis dos maiores bancos do país estão passando por processos
de fusão. Os bancários querem garantias de que não perderão
postos de trabalho e exigem mais contratações para dar
conta da crescente demanda. Os bancos se recusam a discutir
o emprego e aplicar a Convenção 158 da OIT, que inibe
demissões imotivadas.
- Mais saúde e melhores condições de trabalho. A enorme
pressão por metas e o assédio moral são os piores problemas
que a categoria enfrenta hoje, provocando sérios impactos
na saúde física e psíquica. A Fenaban não fez proposta
para combater essa situação e melhorar as condições
de saúde e trabalho.
- Auxílio-creche/babá. A categoria
quer R$ 465 (um salário mínimo) para filhos até 83 meses
(idade prevista no acordo em vigor). Os bancos oferecem
R$ 205 e querem reduzir a idade para 71 meses.
- Auxílio-refeição. Os bancários reivindicam R$ 19,25
ao dia e as empresas propõem R$ 16,63.
- Cesta-alimentação. Os trabalhadores
querem R$ 465, inclusive para a 13ª cesta-alimentação.
Os bancos oferecem R$ 285,21 tanto para a cesta mensal
quanto para a 13ª.
- Segurança. Os bancários querem instalações
seguras e medidas como a proibição ao transporte de
numerário, malotes e guarda das chaves. Também reivindicam
adicional de risco de vida de 40% do salário para quem
trabalha em agências e postos. A categoria defende proteção
da vida dos trabalhadores e clientes.