45% dos
prefeitos não moram nas cidades da PB onde foram eleitos
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30/11/09
- 06:26
Por: JOÃO PAULO MEDEIROS E JOSUSMAR
BARBOSA
Em época de campanha eleitoral, todos
eles prometem ficar próximo de suas comunidades, cuidar
das cidades, buscar soluções para os problemas enfrentados
pelo povo, estar em sintonia com o eleitorado e com
os anseios da população. Entretanto, boa parte dos prefeitos
paraibanos depois de terminadas as disputas e passadas
as solenidades de posse deixa os seus municípios. A
constatação é da Federação dos Servidores Públicos Municipais
da Paraíba (Fespmpb), que realizou um levantamento junto
a mais de 40 sindicatos espalhados em todas as regiões
do Estado.
De acordo com a entidade, dos 223 prefeitos do Estado
cerca de 100 (45%) residem em municípios distintos daqueles
para onde foram eleitos. A atitude contraria o parágrafo
7º do artigo 22 da Constituição estadual, que estabelece
que os gestores públicos chefes do Executivo dependem
de autorização do Poder Legislativo para se afastarem
por mais de 15 dias das administrações municipais. “O
prefeito residirá no município e não poderá deste ausentar-se,
por mais de quinze dias, sem prévia licença da Câmara”,
observa a norma estadual. O afastamento acima do prazo
determinado poderia se configurar em vacância do cargo,
instituto também previsto no artigo 81 da Constituição
Federal brasileira, que prevê a realização de novas
eleições nos casos em que o gestor já tenha ultrapassado
o segundo ano de mandato.
Pensando nessas hipóteses e na própria Lei Orgânica
municipal é que o vereador José Carlos de Oliveira (PDT)
do município de Bonito de Santa Fé, no Sertão do Estado,
resolveu pedir a vacância do cargo da prefeita Alderi
Caju (PMDB), no mês de julho deste ano. Segundo ele,
a gestora teria passado mais de 15 dias fora do município,
o que ensejaria em vacância do cargo.
“O presidente da Câmara não se posicionou até agora.
Nós entramos com o pedido e seria de competência do
presidente da Casa o cumprimento da legislação. A saída
do prefeito de qualquer cidade prejudica porque os atos
públicos para serem realizados precisam de suas ordens.
O município fica acéfalo de poder. Desde quando ela
assumiu que ficou indo e voltando de uma residência
que ela tem em João Pessoa para a cidade, e muita gente
daqui do município faz essa reclamação pública e com
razão”, considerou o parlamentar. A reportagem do Jornal
da Paraíba tentou localizar, por telefone, a prefeita
Alderi Caju, mas nenhuma das ligações feitas para a
prefeitura do município foi atendida.
De acordo com a Fespmpb, a maior parte dos gestores
escolhe a capital do Estado ou cidades como Campina
Grande, Patos, Cajazeiras e Sousa como domicílio, e
comparecem nos municípios onde exercem os cargos públicos
apenas uma vez por semana. “Muitos deles têm casas nas
cidades, mas passam a semana fora. Não acompanham as
obras, não convivem com os problemas do povo, desconhecem
até mesmo a população e mantêm o registro de bens na
cidade apenas para comprovar diante da Justiça Eleitoral”,
asseverou o diretor-tesoureiro da instituição, Francisco
de Assis Pereira. Segundo ele, a ausência tem preocupado
as entidades sindicais representantes dos servidores
públicos paraibanos, já que ela dificulta a negociação
e a busca por melhorias para a categoria.