Genebra (AE) - A taxa de mortalidade da gripe suína
é pelo menos duas a três vezes superior à da sazonal.
Porém, metade das vítimas já sofriam de outras doenças
antes de serem contaminadas pelo vírus. A avaliação
foi conduzida por cientistas franceses e divulgada pelo
Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças, que
acaba de concluir o primeiro perfil completo da nova
doença, quatro meses depois da eclosão dos casos nos
Estados Unidos e México. Embora seja mais virulenta
que a sazonal, a gripe suína ainda mais branda que o
vírus que gerou a Gripe Espanhola em 1918 e que matou
40 milhões de pessoas no mundo.
Segundo o estudo, de cada mil pessoas
contaminadas, entre quatro e seis não resistem ao vírus
H1N1. Isso representaria uma letalidade de 0,4% a 0,6%.
Já na Gripe Espanhola, a taxa de letalidade era dez
vezes maior à da gripe suína. O perfil ainda mostra
que mais da metade dos casos de mortes - 51% - ocorreram
com pessoas entre 20 e 49 anos e que os grupos afetados
não são os mesmos vulneráveis à gripe sazonal. Quarenta
e nove por cento dos mortos já sofriam de outros problemas
de saúde antes de ser contaminados.
A avaliação foi feita em julho com
dados de 28 países de todo o mundo, inclusive com os
casos registrados no Brasil. A variação entre continentes,
porém, é considerada significativa. Em alguns países,
a taxa foi significativamente superior à média mundial.
No México, ela chegou a 6% nos três primeiros meses.
Na Argentina, foi 4,5% entre maio e julho.
Idosos
Uma das conclusões é a comprovação de que diabéticos
e obesos de fato têm mais chances de não sobreviver
ao vírus. O que o estudo também revela é que nem crianças
nem idosos estão entre os grupos de maior risco, como
foi inicialmente indicado.
Apenas 12% dos mortos até agora tinha
mais de 60 anos. Noventa por cento dos óbitos geradas
pela gripe sazonal ocorrem em pessoas com mais de 65
anos de idade. Por ano, entre 250 mil e 500 mil pessoas
morrem no mundo de gripe sazonal.
Uma das teorias avaliadas pelo estudo
é de que os mais idosos estariam mais protegidos porque,
no passado, podem ter sido expostos a um vírus parecido
ao H1N1 ou a uma versão mais leve do mesmo vírus.
A estimativa é de que as pessoas que
nasceram antes de 1957 podem ter desenvolvido uma resistência
a um vírus que se desenvolveu após a Gripe Espanhola,
em 1918. Mas o perfil ainda mostra que, quando idosos
são contaminados pelo vírus H1N1, a taxa de mortalidade
é alta.
Campanha contra gripe comum pode ser
suspensa
Brasília (AE) - A campanha de vacinação
de gripe comum, destinada para idosos, pode ser suspensa
no ano que vem. A decisão depende do comportamento que
a gripe suína apresentar na temporada de frio no Hemisfério
Norte e na experiência que esses países vão apresentar
com o uso da vacina.
Por hora, a recomendação é trabalhar
como se nenhuma alteração fosse feita: a partir de abril,
20 milhões de idosos seriam convocados para a vacinação.
“Mas tudo pode mudar”, diz o secretário de Ciência,
Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde,
Reinaldo Guimarães.
No Brasil, a gripe suína provocou até
o momento 557 mortes, com taxa de mortalidade de 0,29
por 100 mil habitantes. Assim, o País passa a ter o
maior número absoluto de mortes causadas pela gripe
suína, passando Estados Unidos (522) e Argentina (439).
Em termos de mortalidade, o Brasil está em 7º lugar
num ranking de 16 países.
Há três argumentos para manter o calendário
de vacinação no País: o êxito das campanhas anteriores,
a disponibilidade da vacina, produzida pelo Instituto
Butantã, e o alto número de mortes anuais provocadas
pela doença e suas complicações, em torno de 70 mil.
Mas há quem suspeite da eficácia da estratégia em tempos
de pandemia de gripe suína. Neste ano, de todos os casos
confirmados de influenza, a maioria é de gripe suína.
No modelo atual, a partir de abril seriam vacinados
os idosos contra a gripe comum. Pouco depois, teria
início a vacinação contra a gripe suína.