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MUNDO
Taxa de mortalidade está em alta.
27/08/09 - 06:17

Genebra (AE) - A taxa de mortalidade da gripe suína é pelo menos duas a três vezes superior à da sazonal. Porém, metade das vítimas já sofriam de outras doenças antes de serem contaminadas pelo vírus. A avaliação foi conduzida por cientistas franceses e divulgada pelo Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças, que acaba de concluir o primeiro perfil completo da nova doença, quatro meses depois da eclosão dos casos nos Estados Unidos e México. Embora seja mais virulenta que a sazonal, a gripe suína ainda mais branda que o vírus que gerou a Gripe Espanhola em 1918 e que matou 40 milhões de pessoas no mundo.

Segundo o estudo, de cada mil pessoas contaminadas, entre quatro e seis não resistem ao vírus H1N1. Isso representaria uma letalidade de 0,4% a 0,6%. Já na Gripe Espanhola, a taxa de letalidade era dez vezes maior à da gripe suína. O perfil ainda mostra que mais da metade dos casos de mortes - 51% - ocorreram com pessoas entre 20 e 49 anos e que os grupos afetados não são os mesmos vulneráveis à gripe sazonal. Quarenta e nove por cento dos mortos já sofriam de outros problemas de saúde antes de ser contaminados.

A avaliação foi feita em julho com dados de 28 países de todo o mundo, inclusive com os casos registrados no Brasil. A variação entre continentes, porém, é considerada significativa. Em alguns países, a taxa foi significativamente superior à média mundial. No México, ela chegou a 6% nos três primeiros meses. Na Argentina, foi 4,5% entre maio e julho.

Idosos
Uma das conclusões é a comprovação de que diabéticos e obesos de fato têm mais chances de não sobreviver ao vírus. O que o estudo também revela é que nem crianças nem idosos estão entre os grupos de maior risco, como foi inicialmente indicado.

Apenas 12% dos mortos até agora tinha mais de 60 anos. Noventa por cento dos óbitos geradas pela gripe sazonal ocorrem em pessoas com mais de 65 anos de idade. Por ano, entre 250 mil e 500 mil pessoas morrem no mundo de gripe sazonal.

Uma das teorias avaliadas pelo estudo é de que os mais idosos estariam mais protegidos porque, no passado, podem ter sido expostos a um vírus parecido ao H1N1 ou a uma versão mais leve do mesmo vírus.

A estimativa é de que as pessoas que nasceram antes de 1957 podem ter desenvolvido uma resistência a um vírus que se desenvolveu após a Gripe Espanhola, em 1918. Mas o perfil ainda mostra que, quando idosos são contaminados pelo vírus H1N1, a taxa de mortalidade é alta.

Campanha contra gripe comum pode ser suspensa

Brasília (AE) - A campanha de vacinação de gripe comum, destinada para idosos, pode ser suspensa no ano que vem. A decisão depende do comportamento que a gripe suína apresentar na temporada de frio no Hemisfério Norte e na experiência que esses países vão apresentar com o uso da vacina.

Por hora, a recomendação é trabalhar como se nenhuma alteração fosse feita: a partir de abril, 20 milhões de idosos seriam convocados para a vacinação. “Mas tudo pode mudar”, diz o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Reinaldo Guimarães.

No Brasil, a gripe suína provocou até o momento 557 mortes, com taxa de mortalidade de 0,29 por 100 mil habitantes. Assim, o País passa a ter o maior número absoluto de mortes causadas pela gripe suína, passando Estados Unidos (522) e Argentina (439). Em termos de mortalidade, o Brasil está em 7º lugar num ranking de 16 países.

Há três argumentos para manter o calendário de vacinação no País: o êxito das campanhas anteriores, a disponibilidade da vacina, produzida pelo Instituto Butantã, e o alto número de mortes anuais provocadas pela doença e suas complicações, em torno de 70 mil. Mas há quem suspeite da eficácia da estratégia em tempos de pandemia de gripe suína. Neste ano, de todos os casos confirmados de influenza, a maioria é de gripe suína. No modelo atual, a partir de abril seriam vacinados os idosos contra a gripe comum. Pouco depois, teria início a vacinação contra a gripe suína.

Tribuna do Norte


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