Micheletti
convoca diálogo sobre crise em Honduras .
07/10/09
- 06:19
Governo de facto quer uma mesa de diálogo
para abortar os temas com novo espírito
Efe
TEGUCIGALPA, HONDURAS - O presidente interino de Honduras,
Roberto Micheletti, convocou uma mesa-redonda sobre
a crise política do país que se instalará nesta quarta-feira,
7, na presença da missão de chanceleres de países-membros
da Organização dos Estados Americanos (OEA).
"Meu governo convoca uma mesa
de diálogo para abordar com novo espírito os temas que
de alguma maneira já foram objeto de consideração em
documentos de trabalho no diálogo de San José",
expressou Micheletti em mensagem transmitido em uma
conexão nacional de rádio e televisão.
Indicou que o diálogo entre representantes
de seu governo e do deposto presidente, Manuel Zelaya,
incluirá, "em particular, dois temas cruciais que
se referem ao respeito dos poderes do Estado e à anistia,
sem prejuízo que também se abordem outros temas".
No entanto, Micheletti não precisou
quais são esses "dois temas cruciais", e ressaltou
que "todos estes temas pertencem ao âmbito de competência
nacional e devem ser abordados de acordo à lei e à jurisprudência
hondurenhas".
Acrescentou que "a mesa-redonda
e negociação" se instalará em Tegucigalpa "a
partir de amanhã, 7 de outubro às 10h30 da manhã (13h30
hora de Brasília)".
"Em princípio, e para conseguir
uma interação mais efetiva e um tratamento mais sistemático
dos temas, as delegações deverão estar integradas por
três representantes designados por cada parte",
acrescentou o governante interino, designado pelo Parlamento
dia 28 de junho depois que os militares expulsaram Zelaya
do país.
A missão da OEA, que chegará amanhã
a Honduras, "está convidada a participar da cerimônia
de instalação da mesa do diálogo e a sustentar conversas
bilaterais com as delegações de cada parte", disse
Micheletti.
Explicou que "fora das mesas do
diálogo poderão permanecer à disposição os observadores
da OEA a fim de realizar consultas bilaterais com qualquer
das partes ou para ilustrar algum ponto a pedido de
ambas as partes".
Segundo Micheletti, serão "testemunhas
de honra" do diálogo a delegação da OEA, os candidatos
presidenciais para as eleições de 29 de novembro e representantes
da sociedade civil "que coadjuvem à conclusão do
Acordo de Guaymuras".
Zelaya, que permanece na embaixada
do Brasil em Tegucigalpa desde 21 de setembro após retornar
de surpresa a Honduras, exige sua restituição no poder.
Micheletti sustenta que a derrocada
de Zelaya foi produto de um mandato judicial e que este
já não pode voltar a ocupar a Presidência, de acordo
com a Constituição hondurenha.
O acordo de San José, proposto pelo
presidente da Costa Rica, Óscar Arias, que segundo uma
assessora de Micheletti, Marcia de Villeda, será integrado
em parte no diálogo que começa amanhã, inclui o retorno
condicionado de Zelaya ao poder, anistia política e
um Governo de reconciliação nacional, entre outros pontos.