Kirchner
reconhece derrota nas eleições legislativas na Argentina.
29/06/09
- 07:30
O ex-presidente e candidato a deputado
Nestor Kirchner reconheceu a derrota nas eleições legislativas
na Argentina e afirmou que "perdeu por muito pouco".
Segundo as pesquisas eleitorais realizadas após a contagem
de 47% das urnas da Província de Buenos Aires, o primeiro
distrito eleitoral do país, o grupo de aliados do governo
tinha 32,1% do votos contra 34,7% da oposição.
De acordo com o jornal "El Clarín",
a derrota tira da presidente Cristina Kirchner o apoio
de ao menos dez deputados. Na madrugada desta segunda-feira,
o peronista dissidente Francisco de Narváez, principal
opositor do casal Kirchner, comemorou a vitória em Buenos
Aires e pediram ao governo diálogo e conciliação.
O primeiro candidato da aliança União-PRO
considerou que seu triunfo na província de Buenos Aires,
tradicional reduto peronista, "virou a página da
história". "Dissemos que um dia íamos mudar
a história. Este é o dia", defendeu.
O empresário, nascido na Colômbia e
naturalizado argentino, sustentou também que a força
de União-PRO derrotou "a velha e a má política"
e ressaltou que a escolha "está definida".
O prefeito da cidade de Buenos Aires, Mauricio Macri,
chamou ao diálogo e à conciliação e acredita que a presidente
Cristina "escute" a voz da cidadania.
"A nossa presidente com todo respeito
quero dizer que espero que tenha escutado a mensagem
dos argentinos e que convoque a pacificação dos argentinos",
disse o conservador.
Segundo contagem realizada por agências
internacionais, a presidente foi derrotada nas cinco
maiores províncias. Além de Buenos Aires, a oposição
levou vantagem na capital, o segundo em importância,
em Córdoba (terceira província argentina por seu peso
eleitoral), em Mendoza e em Santa Cruz --onde Kirchner
governou durante 12 anos e onde sua esposa e sucessora
na Presidência, Cristina Fernández, votou.
A derrota pode significar 17 cadeiras
a menos na Câmara e quatro no Senado e o fim do apoio
da maioria nas duas Casas. Com isso, Kirchner sofreria
a maior derrota do governo em Buenos Aires, além de
ver ameaçado o amplo apoio legislativo para definir
o mapa político do país para o pleito presidencial de
2011.
Cerca de 28 milhões de argentinos foram
convocados às urnas para renovar quase a metade da Câmara
dos Deputados e um terço do Senado em eleições legislativas
nas quais o governo põe em jogo sua maioria parlamentar.
Oposição vitoriosa
O prefeito de Buenos Aires considerou que "chegou
a hora de brigar menos e fazer mais" e afirmou
que os argentinos "não querem voltar à década de
90 nem a estes últimos sete anos de maus-tratos".
"Os eleitores disseram sim à democracia,
ao respeito e sim à mudança. Com toda clareza, mas com
respeito; uma mensagem absolutamente clara que diz basta
à prepotência, ao confronto desnecessário", afirmou
Macri.
Os argentinos "querem anos nos
quais os políticos se ocupem de todos e não de nós mesmos,
onde ninguém se sinta dono de nós mesmos, com um Estado
potente que realmente gere igualdade de oportunidades
com acesso à justiça e segurança, disse.
Ele aproveitou também a oportunidade
para convocar governadores e intendentes de distintas
forças para "que se somem a trabalhar", quando
faltam dois anos para as próximas eleições gerais.
Na mesma linha, De Narváez prometeu
"trabalhar para fazer cair os preços, para gerar
o primeiro emprego, para que cada uma das famílias em
condição de pobreza receba do Estado a cobertura que
necessita, para defender o capital nacional e para que
cada delito tenha castigo".