Honduras
restringe direitos de cidadãos durante toque de recolher.
02/07/09
- 06:31
Exército é acusado de recrutar
jovens de maneira forçada
O Congresso de Honduras aprovou,
na noite desta quarta-feira, um decreto presidencial
que restringe as liberdades individuais dos cidadãos
do país entre as 22h e 5h, em um reforço ao toque de
recolher imposto no último domingo pelo presidente interino,
Roberto Micheletti.
As novas medidas estabelecem que pessoas
podem ser detidas sem acusação formal por mais de 24
horas e restringem os direitos constitucionais de reunião
e associação, de livre circulação, assim como o direito
de entrar e sair do território nacional.
De acordo com o decreto, que deve permanecer
em vigor pelo menos até o próximo sábado, estas restrições
às garantias individuais são regidas pela legislação
de estado de sítio do país.
“Esta é uma estratégia para reprimir
as pessoas durante a noite”, afirmou à BBC Mundo a deputada
Doris Gutiérrez, do partido Unificación Democrática,
que apoia a volta ao poder do presidente Manuel Zelaya,
deposto por um golpe no último domingo.
O presidente interino designado pelo
Congresso, Roberto Micheletti, no entanto, afirma que
o decreto não estabelece o estado de sítio no país,
mas apenas um toque de recolher.
Acusações
Além das restrições estabelecidas nesta
quarta-feira, organizações de defesa dos direitos humanos
também acusam o Exército hondurenho de estar efetuando
prisões em diversas partes do país e de estar recrutando
de maneira forçada jovens e menores de idade.
“O governo de Micheletti está capturando
pessoas. Não sabemos quantos exatamente, mas tememos
por suas vidas e integridade física. Eu considero que
estamos vivendo em um estado de sítio disfarçado”, afirmou
à BBC Mundo a advogada especializada em direitos humanos
Reina Rivera.
As acusações, no entanto, são negadas
por representantes e partidários do governo interino
de Honduras.
“Aqui não há estado de sítio, de exceção,
ou de emergência. As liberdades foram restringidas para
proteger a vida dos hondurenhos. Há muitos estrangeiros
que podem causar transtornos, o que não podemos permitir”,
afirma o deputado Emilio Cabrera, do Partido Liberal.
Cabrera não especificou a que estrangeiros
se referia, mas, horas antes, o presidente Roberto Micheletti
afirmou que o líder venezuelano, Hugo Chávez, estaria
tentando interferir na crise política do país e que
teria “enviado aviões” para Honduras.
Retorno
Também nesta quarta-feira, o presidente
deposto de Honduras, Manuel Zelaya, adiou até o próximo
sábado seu plano de retornar ao país centro-americano.
Zelaya, que pretendia viajar para Honduras
já nesta quinta-feira, afirmou que irá esperar o fim
do prazo de 72 horas dado pela Organização de Estados
Americanos (OEA) para que o governo interino hondurenho
o reconduza ao poder.
Clique Leia também na BBC Brasil: Líder
deposto de Honduras adia plano de voltar ao país
Pelos termos de um documento divulgado
pela OEA nesta quarta-feira, caso o governo interino
hondurenho não reconduza Zelaya à Presidência, Honduras
poderá ser expulsa da entidade.
Zelaya foi afastado do poder no domingo,
quando um grupo invadiu o Palácio Presidencial e obrigou
o presidente a embarcar em um avião rumo à Costa Rica.
No lugar de Zelaya, os legisladores
hondurenhos empossaram como presidente interino o então
líder do Congresso, Roberto Micheletti.
Pressão internacional
A deposição do presidente hondurenho
eleito foi condenada por todos os governos latino-americanos,
pela ONU e pelos países que integram a OEA, que se recusaram
a reconhecer o novo governo.
Diversos governos retiraram os seus
embaixadores de Honduras. O Itamaraty informou que o
representante brasileiro no país, que se encontra em
Brasília, não retornará à capital hondurenha, Tegucigalpa.
Os Estados Unidos anunciaram nesta
quarta-feira a suspensão dos exercícios militares conjuntos
que pretendiam realizar com Honduras.
Apesar disso, o governo americano não
retirou o seu embaixador de Tegucigalpa.