Tegucigalpa (Honduras) - O ministro
de Relações Exteriores interino de Honduras, Carlos
Lopez Contreras, anunciou ontem (27) que a embaixada
do Brasil será considerada "um prédio privado",
caso em dez dias o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
não informe oficialmente em que condições o presidente
deposto, Manuel Zelaya, está abrigado.
“O Brasil decidiu romper com o governo.
Simplesmente, o que estamos fazendo é reciprocidade.
As relações diplomáticas são vinculos entre dois países,
esse vinculo dá certos direitos e privilégios. E um
dos direitos é manter os escudos diplomáticos. O título
para ter escudo e tudo isso é acompanhando da relação
bilateral. Se não existe essa relação bilateral, tem
que se retirar o escudo. Vai ser um escritório privado”,
explicou Contreras
Na prática, ssignifica que o Brasil
poderá ficar sem embaixada em Honduras. O governo anunciou
ainda o rompimento de todas as relações diplomáticas
com outros quatro países: Espanha, Argentina, México
e Venezuela.
O ultimato foi dado em entrevista coletiva
na Casa Presidencial. De acordo com Contreras, por "cortesia",
mesmo que o prazo expire, o prédio não será invadido
para a detenção de Zelaya, que pediu abrigo na última
segunda-feira (21). O Brasil decidiu não comunicar a
situação do presidente deposto, já que não considera
legítimo o governo liderado por Roberto Michelleti.
“Isso não quer dizer que, por cortesia e por relação
de civilização que o governo de Honduras tem, vai entrar
na embaixada porque não tem o escudo”, garantiu.
O ministro conselheiros do Brasil na
Organização dos Estados Americanos, Lineu Pupo de Paula,
que está dentro da embaixada do Brasil, disse que a
situação é "muito séria", mas avalia que,
mesmo se o Brasil perder a embaixada, o prédio não deve
ser invadido para a captura de Zelaya.
Na noite de sábado (26), o governo de Roberto Micheletti
já havia dito que o Brasil tinha um prazo de dez dias
para determinar a situação de Zelaya, caso contrário,
adotaria medidas "adicionais", previstas na
legislação internacional.