08/07/09
- 07:02
Mark J. Terrill/AE Declaração de amor da filha
Paris, que desabou em pratos nos braços da tia, marcou
ontem as despedidas a Michael Jackson
Los Angeles (AE) - O serviço público pela morte do cantor
Michael Jackson, assistido por milhões de pessoas ao
redor do mundo, teve um tom mais espiritual do que espetacular.
A cerimônia foi aberta pela música de um coral de igreja,
enquanto o caixão dourado do cantor adentrava o ginásio
Staples Center, e transcorreu com discursos melancólicos
e performances musicais. O momento mais forte da cerimônia
ocorreu quando falou a filha do cantor, Paris Michael
Katterine Jackson, de onze anos.
“Desde que nasci, papai sempre foi
o melhor pai que você pode imaginar. E eu apenas gostaria
de dizer que amo ele muito”, disse antes de desabar
nos braços da sua tia, Janet Jackson. Os outros dois
filhos do cantor, Michael Joseph Jr, conhecido como
Prince Michael, 12, e Prince Michael II, 7, também compareceram
à cerimônia.
O pastor Lucious W. Smith, da Igreja
Batista de Pasadena, fez uma oração, seguido pelos cantores
Mariah Carey e Trey Lorenz, que cantaram em dueto a
música “I’ll Be There”, de quando o cantor fazia parte
do grupo Jackson 5.
Dentre os que estiveram no Staples
Center para saudar Michael Jackson estavam o músico
Barry Gordy, o reverendo Al Sharpton e as estrelas do
basquete Magic Johnson e Kobe Bryant. Jennifer Hudson
cantou “Will You Be There” e John Mayer tocou na guitarra
uma versão de “Human Nature”.
“Este é um momento que eu gostaria
de não ter visto”, disse Stevie Wonder antes de sua
performance.
O cantor Smokey Robinson deu início
ao serviço lendo mensagens de Diana Ross e de Nelson
Mandela, amigos de Jackson.
Milhões de fãs ao redor do mundo reuniram-se
para assistir a cerimônia, que foi transmitida de Tóquio
a Paris e vista em todos os lugares pela internet.
Cerca de 20 mil pessoas estavam no
local quando o caixão do cantor chegou. Fãs que tinham
o ingresso para a cerimônia usaram pulseiras douradas
e receberam uma cópia dourada do programa quando entravam
no local. Os irmãos do ídolo carregaram o caixão e usaram
uma gravata dourada, uma única luva branca e óculos
escuros.
A cerimônia terminou com vários artistas
cantando a música “We Are The World”, de 1985, que Michael
Jackson e Lionel Richie escreveram para ajudar as vítimas
da fome na Etiópia. Ainda não está claro em qual cemitério
o corpo de Michael Jackson será sepultado. Os corpos
de muitas celebridades foram sepultados no cemitério
Forest Lawn Memorial Park, em Hollywood Hills, mas a
família ainda não informou onde o corpo de Jackson repousará.
Filhos de Michael aparecem
ao mundo sem máscaras
Los Angeles (AE) - Os filhos de Michael
Jackson não são apenas criaturas magras, esquisitas
e que andam por aí com máscaras. Ontem, no final do
tributo ao cantor, no Staples Center de Los Angeles,
o mundo conheceu a emoção da filha do cantor Paris Michael
Katherine, 11, que fez um pequeno e emocionado discurso.
As crianças pareciam muito bem cuidadas,
embora aparentassem confusão, normal em situações como
essa. O mais novo, Prince, de 7 anos, segurava um bonequinho
com o formato do pai. O mais velho, Michael Joseph Jackson
Jr., já tinha sido cogitado como um dos performers dos
50 shows que Jackson faria em Londres, era o mais calado
e arredio.
Entre os integrantes da família Jackson,
Jermaine, Marlon e Randy eram os mais solícitos e participantes.
Todos usavam uma única luva branca incrustada de pedras
brilhantes, que virou símbolo do irmão mais famoso.
Jermaine funcionava como um mestre de cerimônias, recebendo
e cumprimentando a todos. Parecia mais emocionado. O
velho Joe Jackson tentava se mostrar um pouco mais caloroso.
As irmãs pareciam frias, especialmente Latoya.
Joe Jackson parece só se comunicar
muito bem com os pastores ligados à família, como Al
Sharpton, que ele cumprimentou longamente. Sharpton
disse que os Jackson eram fabulosos, porque se tratava
de uma família operária de Gary, Indiana, um casal com
9 filhos que não tinha nada além de um sonho. Michael
se destacou entre todos, segundo Sharpton, porque “se
recusou a deixar as pessoas decidirem como marcar suas
fronteiras”.
Rei do Pop recebe homenagem
do Olodum na Bahia
Salvador e Rio (AE) - Como no dia seguinte
à morte de Michael Jackson, o grupo baiano Olodum reuniu-se
no início da tarde de ontem no Pelourinho para prestar
a última homenagem ao cantor.
Cem integrantes da banda de percussão,
além do ex-maestro do grupo, Neguinho do Samba - hoje
à frente da Banda Didá -, e de dois covers do astro,
foram ao Largo do Pelourinho para tocar, entre outras
músicas, uma versão de “They don’t care about us”, especialmente
preparada para a ocasião.
A canção é a mesma que a banda gravou
com Michael em 1996. O largo, hoje tomado por centenas
de fãs - alguns carregando pôsteres com imagens do chamado
rei do pop, outros levando cartazes com mensagens -,
foi na época palco de parte do clipe da canção.
“Nenhuma homenagem que façamos será
suficiente para agradecer ao Michael”, admite Neguinho
do Samba, responsável pelo arranjo da percussão de They
don’t care about us. “Ele foi fundamental na divulgação
da banda no exterior”, completa o vocalista do Olodum
Matheus Vidal.
Rio de Janeiro
O cantor Michael Jackson ganhou homenagem
inusitada. Foi transformado em escultura de areia por
Ubiratan da Conceição dos Santos, o Bira, de 54 anos.
Há 10 ele trabalha na Praia de Copacabana esculpindo
mulheres de biquíni, personalidades e castelos. Mas
nunca tanta gente parou para fotografar uma obra sua.
“É o meu recorde. Foram mais de 500 pessoas em dois
dias”, comemora o escultor, que não cobra pelas fotos.
O Michael Jackson esculpido por Bira
tem a pele branca, veste calça e casaco preto e tem
óculos e chapéu - o escultor comprou os acessórios para
dar mais veracidade à obra. Ao lado do astro de areia,
Bira fez um banquinho e cobriu com uma canga com imagens
do Rio. É ali que fãs de Jackson sentam-se para serem
fotografados ao lado da escultura.
Bira demora entre 20 e 45 minutos para
fazer uma escultura, que leva apenas areia e água. Para
as figuras mais complexas, como os castelos com torres,
ele usa ainda uma espécie de gel. Apesar de não cobrar
pelas fotografias, é das doações que ele tira o sustento
de quatro filhos e quatro netos. “Os turistas estrangeiros
são os que dão as melhores gorjetas”, afirma.