Crise mundial
levará 9 milhões de pessoas à pobreza na América Latina,
afirma Cepal .
20/11/09
- 06:40
da Agência Brasil
Brasília - A Comissão Econômica para
a América Latina e o Caribe (Cepal) calcula que a mais
recente crise financeira mundial, originada nos Estados
Unidos, deverá levar pelo menos 9 milhões de pessoas
à situação de pobreza e mais 5 milhões à de indigência
na América Latina somente este ano.
No relatório Panorama Social da América
Latina 2009, divulgado ontem (19), a Cepal prevê que
a pobreza na região aumentará 1,1% e o nível de indigência
crescerá 0,8%, na comparação com o ano passado. As pessoas
em situação de pobreza devem passar de 180 milhões para
189 milhões (o equivalente a 34,1% da população local)
e os indigentes de 71 milhões para 76 milhões, 13,7%
da população.
Apresentado pela secretária executiva
da Cepal, Alicia Bárcena, o documento assinala que a
quantidade de pessoas afetadas equivale a quase um quarto
da população que havia superado a pobreza entre 2002
e 2008 (41 milhões de pessoas), graças ao maior crescimento
econômico, à expansão do gasto social, ao crescimento
demográfico e às melhorias na distribuição da renda.
Embora preveja que alguns países como
o México irão experimentar médias de aumentos maiores
em seus níveis de pobreza e indigência devido à diminuição
do Produto Interno Bruto (PIB) e à deterioração de empregos
e salários, a Cepal acredita que, em termos regionais,
o impacto será menor que o de turbulências anteriores,
como a crise mexicana, de 1995, a asiática, entre 1998
e 2000 e a chamada crise “ponto.com” e da Argentina,
respectivamente em 2001 e 2002.
Mesmo assim, de acordo Alicia Bárcena,
os efeitos da crise irão impedir que a região elimine
a pobreza extrema e a fome até 2015 conforme estabelece
a primeira Meta de Desenvolvimento do Milênio da Organização
das Nações Unidas (ONU).
O relatório também assinala a urgência
dos países latino-americanos de investirem em um novo
sistema de proteção social, adotando medidas que combinem
o atendimento de urgência a uma estratégia de longo
prazo, evitando a irresponsabilidade fiscal e o endurecimento
da legislação trabalhista, aumentando a carga tributária
de forma progressiva e redistribuindo os gastos sociais.