Congresso
de Honduras estuda retirar do cargo presidente do país
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27/06/09
- 06:15
GUSTAVO PALENCIA - REUTERS
TEGUCIGALPA - Legisladores de Honduras estudam retirar
do cargo o presidente do país, Manuel Zelaya, em meio
a uma crise provocada pela intenção dele de realizar
uma consulta popular que lhe abra caminho para a reeleição.
A crise teve início quando Zelaya destituiu
na quarta-feira o chefe do Estado Maior das Forças Armadas,
general Romeo Vásquez, depois da recusa militar de mobilizar
as urnas para a consulta do domingo, que foi declarada
ilegal por um juiz.
A Corte Suprema de Justiça ordenou
na quinta-feira a volta de Vásquez, e Zelaya foi com
simpatizantes a uma base militar retirar as urnas para
a consulta, depois de denunciar uma tentativa de golpe
de Estado do Congresso e da Corte Suprema.
No entanto, na madrugada desta sexta-feira,
o presidente afirmou que o risco de golpe de Estado
havia passado. "O país está na tranqulidade",
afirmou a jornalistas.
Legisladores do Partido Nacional, de
oposição, disseram à Reuters que a comissão multipartidária
nomeada pelo Congresso para investigar o presidente
concluiu que ele violou a legislação, e assim se pediria
que o Parlamento o declarasse incapaz de exercer o cargo
e se encaminharia o início de um processo legal contra
o presidente.
"No que coincidimos é em declará-lo
incapaz para seguir governando o país", disse o
deputado do Partido Nacional Wilfredo Bustillo, integrante
da comissão onde o partido do governo, o Liberal, também
está presente.
"Isso é o que vai se pedir no
plenário do Congresso", completou.
O Parlamento tem 55 legisladores do
Nacional e 62 do Liberal, sendo que algum dos situacionistas
não apoiam a consulta popular. Há também 11 membros
de partidos opositores menores.
Com o objetivo de ter mais argumentos
para punir o presidente Zelaya, os parlamentares esperariam
até a próxima semana para se reunir, depois da consulta
para a qual continuavam nesta sexta-feira os preparativos.
O presidente defende o seu direito
de realizar a consulta, apesar de a Justiça tê-la declarado
ilegal, com a argumentação de que só a autoridade eleitoral
pode convocá-la.