Abuso de
medicamentos pode ter parado o coração de Michael Jackson.
26/06/09
- 07:01
O astro pop Michael Jackson estava
obstinado com sua volta aos palcos. Seu primeiro show,
após um hiato de ao menos 12 anos em grandes trunês,
seria em 13 de julho, em Londres. Para entrar em forma,
ele tomava remédios de uso restrito e seguia uma dura
rotina de treinamentos diários. Michael morreu na tarde
desta quinta-feira em Los Angeles (Estados Unidos),
de parada cardíaca.
Jackson, 50, teve vários episódios
com drogas vendidas somente sob prescrição médica ao
longo de sua carreira e vinha tomando remédios devido
às lesões que sofria durante os ensaios para seu grande
regresso artístico, disse Brian Oxman, advogado, porta-voz
da família e amigo pessoal do artista.
Segundo ele, o uso destes medicamentos
preocupava a família, já que vários membros do staff
de Jackson tinham autorização para obter estas drogas.
"Não conheço a causa de tudo isso, mas eu temia
o caso. Isso é um claro resultado de abuso de medicamentos,
a não ser que a causa seja outra", afirmou.
Jermaine Jackson, irmão do cantor,
confirmou a morte do astro, afirmando que os médicos
tentaram reanimá-lo por mais de uma hora, sem sucesso.
Abatido, o ex-integrante do grupo Jackson 5 afirmou
que Michael chegou ao UCLA Medical Service por volta
das 14h (horário local), após ser encontrado inconsciente
em sua casa.
A polícia de Los Angeles abriu uma
investigação para esclarecer as circunstâncias que levaram
à repentina morte do cantor, poucos minutos após seu
internamento. Os médicos declararam 14h26 (18h26 de
Brasília) como hora da morte do cantor --por volta das
13h (hora local) ele havia sido encontrado inconsciente
em sua casa, no luxuoso bairro de Bel Air.
O delegado Greg Strank não esclareceu
como Michael foi encontrado, ou se havia elementos que
levantassem suspeitas sobre um delito ou um suicídio
por abuso de medicamentos. Ele só descartou completamente
a hipótese de um crime.
Sobre o uso dos remédios, o advogado
comparou a situação ao caso da ex-modelo da Playboy
Anna-Nicole Smith, que morreu de overdose de medicamentos.
"Isto não foi algo inesperado (...) diante dos
medicamentos que ele tomava", disse.
"Não sei exatamente os remédios
que ele tomava, mas as informações de que dispomos indicam
uma ampla gama [de produtos de venda controlada]",
declarou.
Michael Levine, assessor do artista,
também disse à France Presse que "não ficou surpreso"
com a morte do cantor. "Juro que não fiquei surpreso
com a trágica notícia de hoje. Michael seguia um caminho
incrivelmente difícil e, com frequência, autodestrutivo,
e isto ocorria havia vários anos."
Shows
Segundo o produtor Jay Coleman, que representou Jackson
nos anos 80, o regresso do astro aos palcos, após anos
de ausência, foi algo "muito estressante"
para um perfeccionista como Michael.
"Essas serão minhas últimas performances
em Londres", chegou a anunciar o cantor, em março.
Ele comemoria seus 50 anos --completados em agosto do
ano passado. O astro planejava voltar aos palcos com
uma série de 50 shows, após uma reclusão voluntária
desde 2005, quando foi absolvido da acusação de abuso
sexual de um menor.
"A preparação para uma sequência
de shows desta envergadura foi algo muito estressante",
disse Coleman, que colocou Jackson nos spots publicitários
da Pepsi.
Segundo Coleman, "a expectativa
dos fãs era a de ver um Michael Jackson tão grande como
no passado". ""Ele era um perfeccionista,
que se envolvia profundamente na preparação de cada
show, cada detalhe era muito importante."
Sucesso
O cantor nasceu Michael Joseph Jackson, em Gary, no
Estado de Indiana (EUA), no dia 29 de agosto de 1958.
Ao todo, seus pais tiveram nove filhos, mas foi ele
quem revelou uma habilidade musical fora do comum desde
muito pequeno.
Esse talento acabou explorado por seu
pai, Joseph Jackson, que montou um grupo com alguns
de seus filhos e o batizou de Jackson 5. Michael --o
sétimo filho-- integrou o conjunto e logo ganhou destaque
com seu carisma, que à época assombrou produtores musicais.
O sucesso pelo interior dos Estados
Unidos acabou rendendo um contrato com a lendária gravadora
Motown. Nesse período, os Jacksons ganharam sete singles
de platina pela venda de aproximadamente um milhão de
cópias e três álbuns de platina pela venda de mais de
dois milhões de discos.
Apesar do sucesso prematuro, Michael
costuma se remeter àquela época como um período infeliz
de sua vida. Dominado por um pai abusivo, disse depois
que se sentia isolado e sozinho.
Apogeu
Foi em 1971 que a Motown começou a lançar o cantor em
carreira solo --entre indas e vindas, o último trabalho
de Michael com os Jackson 5 foi em 1984 no álbum "Victory".
Ele arrebatou milhões de fãs ao criar um novo estilo,
que unia canções de refrão fácil, musicalidade e muita
dança. Em 1972, ele foi eleito o melhor vocalista masculino
do ano por seu primeiro disco solo, "Got to Be
There".
Mas os holofotes se voltaram mesmo
para ele em agosto de 1979 com o lançamento do álbum
"Off the Wall", que vendeu 11 milhões de discos.
O grande marco, no entanto, viria em dezembro de 1982,
com "Thriller". O disco, com músicas de sucesso
como "Billie Jean" e "Beat It",
vendeu mais de 100 milhões de cópias no mundo todo até
hoje, o que faz dele o mais vendido da história.
"Thriller" foi seguido de
"Bad" (1987) --que vendeu 20 milhões de cópias--
e "Dangerous", de 1991 (21 milhões de cópias).
Os recordes davam uma amostra do espaço
que o cantor ocupava na cena pop. Michael Jackson mudou
a história da música ao também inovar em outros dois
campos da indústria do entretenimento: ele adotou um
marketing agressivo de divulgação de discos e passou
a produzir clipes quase cinematográficos.
Os contratos de publicidade com a fabricante
de refrigerantes Pepsi e a gigante de eletrônicos Sony,
além de investimentos em catálogos de música, renderam
a Jackson uma grande fortuna. Ao se transformar em sensação
mundial, acabou protagonizando sucessos e escândalos,
sempre com ampla cobertura da mídia.
Queda
As primeiras críticas sofridas por Michael começaram
em 1984, quando ele afinou o nariz: era a primeira de
uma série de cirurgias plásticas que mudaram as características
de seu rosto. Em 1991, ele chegou a ser comparado a
um androide. Ao morrer, o cantor tinha a pele completamente
branca --resultado de uma doença, de acordo com ele--
e o nariz, boca e queixo modificados.
Mas o declínio de sua carreira começou
mesmo em agosto de 1993, quando ele sofreu a primeira
acusação de pedofilia. Um homem recorreu à Justiça afirmando
que Michael abusou de seu filho, Jordan Chandler, 13.
O caso acabou resolvido fora dos tribunais em um acordo
que pode ter envolvido US$ 25 milhões.
O escândalo ocorreu pouco depois de
Jackson ter voltado às manchetes dos jornais ao anunciar
seu casamento com Lisa Marie Presley, filha de Elvis,
então com 26 anos e herdeira de uma fortuna estimada
em US$ 100 milhões.
Apesar de ter conseguido evitar uma
guerra nos tribunais, o escândalo comprometeu sua carreira
por toda a década de 90. Em junho de 1995, ele lançou
o disco duplo batizado de "HISstory, Past, Present
and Future - Book I", que recebeu críticas negativas
e teve vendas de 16 milhões de cópias, resultado abaixo
do esperado em razão dos gastos de quase US$ 40 milhões
em publicidade.
Em fevereiro do ano seguinte, ele se
separa de Lisa Presley para se casar em novembro com
a enfermeira Debbie Rowe --então com 37 anos--, com
quem teve dois filhos: Prince Michael e Paris Michael
Katerine. O casamento durou até 1999, quando eles se
divorciaram.
Michael só voltou à mídia em 2001,
com o álbum "Invincible". O racha do cantor
com a Sony resultou em uma fraca divulgação e oito milhões
de discos vendidos, seu pior desempenho desde "Off
the Wall (1979)".
A partir de então, os comentários sobre
a produção musical de Michael Jackson voltaram a ceder
espaço aos escândalos de sua vida particular. Em novembro
de 2002, ele decidiu pendurar seu terceiro filho, Prince
Michael 2º, de nove meses, para fora da sacada de um
hotel em Berlim. As críticas o obrigaram a pedir desculpas
públicas no dia seguinte.
Pedofilia
Essa não foi a única atitude intempestiva do cantor.
A mais polêmica estava prestes a acontecer. Em fevereiro
de 2003, uma TV britânica mostrou o documentário "Living
With Michael Jackson", de autoria do jornalista
Martin Bashir, que passou oito meses entrevistando o
cantor em Neverland --o rancho de 1,3 mil hectaresdo
cantor, onde ele mantinha um parque de diversões.
No filme, o repórter pergunta sobre
o episódio em que Michael é acusado de pedofilia em
1993. Na ocasião, 60 investigadores invadiram seu rancho
após a denúncia. Era o início de uma batalha judicial
que o inocentou 20 meses depois, tempo suficiente para
manchar para sempre a carreira de um dos maiores fenômenos
da música.
O cantor diz, no filme, que nunca abusou
de um menor, mas confessa que já havia dividido sua
cama com vários garotos. A polêmica ganhou as manchetes
e as TVs do mundo todo, que disputavam o direito de
veicular o documentário.
Quando o assunto começava a deixar
os noticiários, nova polêmica: motivado pelo filme,
os pais de um adolescente entram com uma ação contra
Michael Jackson afirmando que, em 2000, ele molestou
seu filho, que à época contava 12 anos.
Dessa vez o astro não conseguiu evitar
o julgamento, que só começou em janeiro de 2005 e teve
duração de seis meses. A ação gerou novas denúncias
de pedofilia, que envolveu até o ator Macaulay Culkin,
que precisou ir ao tribunal negar que tenha sido abusado
por Michael.
O cantor venceu o processo, mas saiu
dele doente, com uma dívida de US$ 270 milhões e a vida
devastada. Para não perder Neverland, afundada em dívidas,
Michael precisou vender os direitos de cerca de 200
canções dos Beatles, que ele detinha desde 1985.
Mesmo endividado, o cantor não esperou
mais do que um mês após o veredicto para comprar um
luxuoso imóvel e se mudar para Bahrein, pequeno reino
do Golfo. Ele só voltaria para os Estados Unidos em
dezembro de 2008, quando alugou uma mansão em Los Angeles
por US$ 100 mil mensais.
Michael Jackson comemorou seus 50 anos
em agosto do ano passado ao lado apenas dos filhos e
sob a especulação de que estaria cada vez mais doente.
De acordo com alguns tabloides, o cantor sofria de uma
grave doença pulmonar genética que o teria convencido
de que morreria em breve.
Em novembro do ano passado, o popstar
--criado como Testemunha de Jeová-- se converteu ao
islamismo em uma cerimônia na casa de um amigo em Los
Angeles. A conversão lhe deu uma nova alcunha: Mikaeel,
nome de um dos anjos de Alá.