Sargento Davi Lima, que era radicado em João Pessoa,
é uma das vítimas confirmadas pelo Exército
Isabella Araújo // isabellaaraujo.pb@dabr.com.br
"Quando eu vi pela televisão a tragédia, comecei
a orar". A intuição do senhor Amaro Augusto,
pai do 2º sargento do Comando do Batalhão Brasileiro,
Davi Ramos de Lima, de 37 anos, que estava na primeira
missão internacional no Haiti foi confirmada à 1 hora
30 minutos e 22 segundos de ontem, através de uma
ligação feita em João Pessoa. Um oficial do Exército
do 5º Batalhão de Infantaria Leve, com sede na cidade
de Lorena, em São Paulo, informou que Davi Lima estava
entre os brasileiros mortos no terremoto que assolou
a cidade de Porto Príncipe.
O militar está na lista das 11 vítimas fatais divulgadas
pelo Exército brasileiro ontem com o tremor de terra,
além dos civis que estão sendo contabilizados. E,
apesar do abalo com a notícia, a família expressou
consolo em saber da paixão que o militar tinha pelo
trabalho que exercia na missão de paz pela Organização
das Nações unidas (ONU).
"Ele tinha muito orgulho de participar dessa
missão e com certeza o nosso sentimento é de que ele
cumpriu com o seu dever", disseram o irmão e
a cunhada do militar, Ari Lima e Nadja Pessoa, que
moram em João Pesssoa e estão embarcando no próximo
sábado para São Paulo, a fim de visitar os parentes
e acompanhar de perto a chegada do corpo, que deve
ser entregue ao 5º Batalhão de Infantaria Leve, com
sede na cidade de Lorena, em São Paulo.
O sargento Davi Lima, que já havia participado de
missões dentro do Brasil, relatava uma estranheza
com o grande contraste social do Haiti: "Ele
chamava atenção para o contraste daquele país. Enquanto
havia locais de extrema pobreza e miséria, ele deparava
com poucos locais que concentravam luxo e esplendor",
relatou o irmão.
A maior dificuldade para o militar, segundo os relatos
dos familiares, era cumprir a recomendação do Exército
para que não houvesse envolvimento próximo com a realidade
local, a fim de não comprometer os objetivos da missão:
"Eles sempre são orientados a não estabelecer
um relacionamento muito próximo com as pessoas do
local, e isso incomodava ele", afirmou Ari Lima.
Pernambucano de Garanhuns, Davi Ramos de Lima veio
ainda na infância morar em João Pessoa, onde toda
a família se fixou. Cursou Edificações na antiga Escola
Técnica, tendo concluído no início da década de 90.
Depois, formou-se em Administração em São Paulo, onde
também ingressou na carreira militar, a exemplo do
pai.
Davi Ramos de Lima deixou a esposa Fernanda, com quem
tinha dois filhos, uma criança de 4 meses e outro
garoto de 7 anos. Ele também era padrasto uma de adolescente
de 14 anos, filha de Fernanda de um outro relacionamento.
A última vez em que esteve no Brasil foi no ano passado,
quando veio visitar o filho recém-nascido.
Enterro
O pai do sargento Davi Lima revelou o desejo da família
de velar e enterrar o corpo em João Pessoa, mas afirma
que vai respeitar a decisão da esposa do militar,
que reside em Lorena: "Estamos negociando onde
vai ser feito o enterro. Manifestamos o nosso desejo
de trazer o corpo para a Paraíba para ser enterrado
junto com a mãe falecida, massabemos que essa decisão
é da esposa de Davi e vamos respeitar", disse
o senhor Amaro Augusto.A família, que mora há mais
de 30 anos na Paraíba, considera o pernambucano "um
filho da terra".
Sobre o impacto da notícia com a esposa de Davi Lima,
o pai revelou: "Ela está até agora sem querer
acreditar", disse Amaro Augusto, que conversou
com a nora duas vezes em ligações telefônicas.