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MUNDO
A dor chegou à Paraíba.
14/01/10 - 06:48

Sargento Davi Lima, que era radicado em João Pessoa, é uma das vítimas confirmadas pelo Exército
Isabella Araújo // isabellaaraujo.pb@dabr.com.br

"Quando eu vi pela televisão a tragédia, comecei a orar". A intuição do senhor Amaro Augusto, pai do 2º sargento do Comando do Batalhão Brasileiro, Davi Ramos de Lima, de 37 anos, que estava na primeira missão internacional no Haiti foi confirmada à 1 hora 30 minutos e 22 segundos de ontem, através de uma ligação feita em João Pessoa. Um oficial do Exército do 5º Batalhão de Infantaria Leve, com sede na cidade de Lorena, em São Paulo, informou que Davi Lima estava entre os brasileiros mortos no terremoto que assolou a cidade de Porto Príncipe.

O militar está na lista das 11 vítimas fatais divulgadas pelo Exército brasileiro ontem com o tremor de terra, além dos civis que estão sendo contabilizados. E, apesar do abalo com a notícia, a família expressou consolo em saber da paixão que o militar tinha pelo trabalho que exercia na missão de paz pela Organização das Nações unidas (ONU).

"Ele tinha muito orgulho de participar dessa missão e com certeza o nosso sentimento é de que ele cumpriu com o seu dever", disseram o irmão e a cunhada do militar, Ari Lima e Nadja Pessoa, que moram em João Pesssoa e estão embarcando no próximo sábado para São Paulo, a fim de visitar os parentes e acompanhar de perto a chegada do corpo, que deve ser entregue ao 5º Batalhão de Infantaria Leve, com sede na cidade de Lorena, em São Paulo.

O sargento Davi Lima, que já havia participado de missões dentro do Brasil, relatava uma estranheza com o grande contraste social do Haiti: "Ele chamava atenção para o contraste daquele país. Enquanto havia locais de extrema pobreza e miséria, ele deparava com poucos locais que concentravam luxo e esplendor", relatou o irmão.

A maior dificuldade para o militar, segundo os relatos dos familiares, era cumprir a recomendação do Exército para que não houvesse envolvimento próximo com a realidade local, a fim de não comprometer os objetivos da missão: "Eles sempre são orientados a não estabelecer um relacionamento muito próximo com as pessoas do local, e isso incomodava ele", afirmou Ari Lima.

Pernambucano de Garanhuns, Davi Ramos de Lima veio ainda na infância morar em João Pessoa, onde toda a família se fixou. Cursou Edificações na antiga Escola Técnica, tendo concluído no início da década de 90. Depois, formou-se em Administração em São Paulo, onde também ingressou na carreira militar, a exemplo do pai.

Davi Ramos de Lima deixou a esposa Fernanda, com quem tinha dois filhos, uma criança de 4 meses e outro garoto de 7 anos. Ele também era padrasto uma de adolescente de 14 anos, filha de Fernanda de um outro relacionamento. A última vez em que esteve no Brasil foi no ano passado, quando veio visitar o filho recém-nascido.

Enterro

O pai do sargento Davi Lima revelou o desejo da família de velar e enterrar o corpo em João Pessoa, mas afirma que vai respeitar a decisão da esposa do militar, que reside em Lorena: "Estamos negociando onde vai ser feito o enterro. Manifestamos o nosso desejo de trazer o corpo para a Paraíba para ser enterrado junto com a mãe falecida, massabemos que essa decisão é da esposa de Davi e vamos respeitar", disse o senhor Amaro Augusto.A família, que mora há mais de 30 anos na Paraíba, considera o pernambucano "um filho da terra".

Sobre o impacto da notícia com a esposa de Davi Lima, o pai revelou: "Ela está até agora sem querer acreditar", disse Amaro Augusto, que conversou com a nora duas vezes em ligações telefônicas.

O Norte

 

 

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