Toffoli
é o novo ministro do Supremo Tribunal Federal.
01/10/09
- 06:18
Brasília (AE) - Por 58 votos a favor, nove contra e
três abstenções, o Senado aprovou ontem a indicação
de José Antonio Dias Toffoli para ministro do Supremo
Tribunal Federal (STF). A vitória, depois de um intenso
lobby em favor da indicação, que envolveu magistrados,
organizações de classe e políticos, foi folgada: 17
votos a mais do que os 41 necessários
Depois de uma sabatina que durou mais de sete horas
na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado,
Toffoli sinalizou que poderá votar no julgamento do
ex-ativista italiano Cesare Battisti. A pedido do governo
italiano, o Supremo decidirá se extradita ou não Battisti,
acusado de quatro assassinatos. No início deste ano,
o governo brasileiro concedeu o status de refugiado
político ao ex-ativista.
“Não fui consultado sobre a decisão
de se conceder o refúgio a Cesare Battisti. Analisarei
todas as condições processuais que dizem respeito a
impedimento ou suspeição no julgamento”, afirmou Toffoli,
ao lembrar que como Advogado-Geral da União (AGU) não
atuou no caso e, portanto, não tem impedimento legal
de participar do julgamento.
O julgamento de Battisti é um dos mais
polêmicos, está em andamento no Supremo e a votação
está quatro a três a favor da extradição do italiano.
A expectativa é que o voto de Toffoli seja favorável
ao refúgio dado pelo governo brasileiro a Battisti.
Apesar de longa, a sabatina de Toffoli
na CCJ foi tranquila. Logo no início, para tentar afastar
os temores de senadores, principalmente de oposição,
de que poderia atuar como militante do PT no Supremo,
Toffoli, que foi advogado do partido, empunhou a Constituição
e declarou solenemente que seu “compromisso é com a
Constituição brasileira”. Argumentou ainda que sua ligação
com o PT “é uma página virada da história” e que no
Supremo passará agir como “juiz da Nação”. Uma das principais
críticas à indicação de Toffoli é o fato dele ter sua
carreira jurídica vinculada ao PT. Os únicos que criticaram
duramente o advogado foram os senadores Álvaro Dias
(PSDB-PR) e Pedro Simon (PMDB-RS. Com um discurso ácido,
o peemedebista cobrou as ligações de Toffoli com o ex-ministro
da Casa Civil, José Dirceu, e sua eventual participação
no episódio do “mensalão”.
“O PT quer estatizar o seu advogado
mandando-o para o Supremo. O STF não pode ser um cabide
para premiar aqueles que estão alinhados com o governo”,
disse o tucano.
Elogios do senador tucano emocionam
Antonio Toffoli
Durante a sabatina na Comissão de Constituição
e Justiça do Senado, José Antonio Dias Toffoli procurou
responder a todas as perguntas dos parlamentaers. Em
tom professoral e monocórdio, o advogado falou sobre
temas espinhosos, como a legalização do aborto, e tentou
convencer a plateia repleta de senadores que tem “notório
saber jurídico”. Começou seu depoimento um pouco nervoso,
lendo sua fala, mas deixando claro logo de saída que
“o Poder Judiciário não pode legislar”. Fez questão
de argumentar também que o fato de não ter passado em
dois concursos para juiz nem ter mestrado ou doutorado
não o descredenciavam para ir para o Supremo.
Em duas ocasiões, Toffoli ficou com
a voz embargada e se emocionou, quase chegando às lágrimas.
A primeira delas foi depois de receber elogios do líder
do PSDB, senador Arthur Virgílio Neto (AM). O tucano
declarou que o advogado do partido, Tom Vilas Boas,
sempre elogiou a atuação de Toffoli durante as duas
campanhas eleitorais do presidente Lula. Depois, no
final da sabatina na CCJ, Toffoli se emocionou quando
seu irmão caçula, José Eduardo, que tem síndrome de
down, foi para seu lado e o beijou. Três irmãos do novo
ministro do Supremo acompanharam toda a sabatina.