Promotor
condena nomeação de parentes de magistrados no Governo.
30/07/10
- 06:35
O promotor de Justiça de Jacaraú, Marinho Mendes, concedeu
na noite de ontem,29, uma entrevista polêmica no programa
Bastidores, apresentado pelo Padre Albeni Galdino. Ele
recriminou as nomeações de parentes de magistrados no
Governo da Paraíba e disse que o fato é uma forma de
ingerência do poder executivo no judiciário. Sem papas
na língua, o promotor declarou:
- Os jornais falam disso. Eu não conheço
nenhum, mas se existirem parentes de magistrados empregados
no poder executivo é uma forma de ingerência e isso
é eticamente incorreto. Eu não aceito. Quem aceita um
filho nomeado por um governador ou por um prefeito é
alguém que não tem compromisso com sua instituição e
a mata. Um homem assim tem que ser punido, ser redisciplinado.
Eu sou profundamente contra. O sociólogo Marcel Mauss
escreveu um tratado sobre a dádiva. Quem recebe uma
dádiva, está comprometido. Ninguém te dá nada de graça.
Ele quer retribuição. Isso tira a independência. Quem
dá um emprego para meu filho, eu vou ver um processo
dele com os mesmos olhos de quem eu nunca vi na minha
frente? Um desembargador desses teria que ser afastado,
reorientado e depois poderia voltar.
Marinho Mendes ainda comentou a situação
da Segurança Pública no Estado da Paraíba e disse que
não aceitaria caso fosse convidado a assumir a Pasta:
- Seria preciso trabalhar muito para
refazer 500 anos de segurança pública que não tem projetos
- disse o promotor, citando um caso pitoresco de seu
município - O Governo comprou uma viatura bonita, mas
a Ranger é movida a gasolina. Temos dois policiais lá
que levam a viatura para Mamanguape para abastecer e
são 36 quilômetros. Depois, voltam para Jacaraú e andam
mais 36 quilômetros. Já chega seco. A cota é de 20 litros
por dia. Hoje segurança pública tem que ser com planejamento,
com projetos, com estudos, tem que chamar os cientistas
políticos da UFPB. Estive em um debate com o secretário
de Segurança de Pernambuco. Ele é um sociólogo. Me desculpe
o pessoal do Direito, mas Direito só não basta.
Ainda tratando de ingerência e recebimento
de favores, Marinho Mendes disse que desenvolve projetos
em Jacaraú e chega a distribuir brindes aos moradores
que colaborarem com as iniciativas. Os brindes são custeados
pelo próprio promotor, que não aceita doações de comerciantes:
- A gente perde independência. É para
o cara não dizer depois que eu o denunciei, mas que
recebi alguma coisa antes. Para não correr esse risco,
a gente não aceita. Como não aceito honrarias. Eu mando
um ofício, muito elegante, mas não aceito. E vejo gente
com 300 títulos de cidadão e me pergunto o que esse
cidadão fez. É preciso ter consciência e não andar atrás
de títulos. Em Araçagi, me deram um título. Eu não quis.
No mesmo dia, deram um título a um policial que foi
expulso. A vaidade é a chave para a corrupção!
"Vejo gente com 300 títulos
de cidadão e me pergunto o que esse cidadão fez. É preciso
ter consciência e não andar atrás de títulos"
Marinho Mendes.