Procurador
manda prefeitos demitirem servidores não concursados na
PB.
18/02/10
- 17:00
O procurador-geral de Justiça da Paraíba assinou na
manhã de hoje uma recomendação aos prefeitos dos 223
municípios da Paraíba para que exonerem, até o dia 31
de julho, todos os servidores contratados sem aprovação
em concurso público e rescindam os contratos de prestação
de serviços que envolvam atividades ou funções próprias
da administração pública. Ao justificar a recomendação,
ele observou que a Comissão de Combate à Improbidade
Administrava e à Irresponsabilidade Fiscal possui informações
de que basicamente quase todos os municípios do Estado
praticam atos de irregularidades na contratação de servidores.
Segundo o procurador, a CCIAIF constatou
que existem três situações de contratação irregulares
praticadas: a contratação de cargos comissionados, as
de serviços temporários e os terceirizados, que são
os serviços prestados por pessoas jurídicas ou físicas.
Nessas contratações, os prefeitos aproveitariam para
burlar a Constituição Federal, não realizando concurso
público, e garantiriam o atendimento aos pedidos de
cabos eleitorais, especialmente em período de eleição.
“Essa recomendação tem o objetivo de
trabalho preventivo, com um marco pontuado no dia 31
de julho, para que todos os prefeitos possam se regularizar”,
observou o procurador-geral, durante entrevista coletiva
concedida na sede da Procuradoria Geral de Justiça da
Paraíba. Ele, alertou ainda, que essa não é uma nova
realidade, pois a Constituição prevê a necessidade de
concurso, mas que os prefeitos têm tornado rotina a
não realização do certame.
De acordo com o procurador, a partir
do dia 31 de julho o Ministério Público dará início
a fiscalização em todas as prefeitura para constatar
se elas estão cumprindo a recomendação.
Perguntado sobre o porquê da recomendação
não ter sido estendida ao Governo do Estado, o procurador-geral
de Justiça disse que no primeiro momento o Ministério
Público usou como referência a demanda existente na
CCIAIF, tendo em vista se constatar que as contratações
irregulares por parte dos municípios se tornam mais
volumosas que o Estado. Mas isso não descarta a possibilidade
de também ser dirigida uma recomendação ao Governo do
Estado.
O coordenador da Comissão de Combate
à Improbidade Administrativa e à Irresponsabilidade
Fiscal do Ministério Público da Paraíba, promotor de
Justiça Carlos Romero Lauria Paulo Neto, explicou que
todas as esferas da administração pública deverão ser
fiscalizadas, mas numa segunda fase. “Quando a gente
passa para esse âmbito para cobrar e controlar essas
situações, concretas, nós temos as dificuldades operacionais,
pois vamos numa primeira etapa nos ocupar de 223 municípios.
Se nós acrescentássemos, agora, todas as unidades do
governo do Estado e demais poderes, seria muito bonito
no papel, mas não teríamos como dar efetivo controle
aquilo que recomendamos. Por isso temos que atuar de
forma compassada”, explicou Carlos Romero.
No mesmo momento em que assinou a recomendação,
o procurador-geral Oswaldo Filho também instaurou um
inquérito civil público para garantir a aplicação da
recomendação, pois, segundo ele, alguns prefeitos podem
entender que já existem, junto ao legislativo municipal,
lei que tenha a previsão da contratação desse tipo de
serviço. “Com a instauração desse inquérito civil público
vamos analisar a questão da constitucionalidade das
leis municipais existentes com relação à contratação
dos serviço prestados”, explicou o procurador-geral
de Justiça.