Acusados abriam empresas fantasmas para receber FGTS
e seguro-desemprego. Golpe chega a R$ 2,5 milhões
Paulo de Sousa // jpaulosousa.rn@diariosassociados.com.br
Utilizando-se de um esquema fraudulento,
seis quadrilhas independentes podem ter lucrado em R$
2,5 milhões com dinheiro do Fundo de Garantia por Tempo
de Serviço (FGTS) e seguro-desemprego no Rio Grande
do Norte, desde janeiro de 2008. A fraude, porém, foi
descoberta pela Polícia Federal, que deflagrou ontem
pela manhã a operação São Caetano, desbaratando os grupos
criminosos. Segundo o superintendente da PF no estado,
Marcelo Mosele, o golpe era feito por profissionais
de contabilidade que, a partir de empresas e empregados
fantasmas, recolhiam o dinheiro do fundo de amparo ao
desemprego. Foram cumpridos 34 mandados de busca e apreensão,
e 12 de prisão temporária.
Mosele explica que as empresas eram criadas por contadores
e contabilistas, algumas até mesmo com números de CNPJ
falsos, para contratar funcionários laranjas, que recolhiam
o dinheiro do seguro-desemprego. "Algumas dessas
empresas só existiam no papel, assim como os empregados,
que nunca exerceram suas funções". Esses funcionários,
a princípio, recebiam salários-mínimos, os quais, nos
últimos três meses que antecediam às demissões, recebiam
reajustes de forma desproporcional, fazendo com que
os seguros pagos tivessem como referência esses valores
elevado - o cálculo para o seguro tem como base as três
últimas remunerações.
Trabalho conjunto
O superintendente da PF explica que
o esquema foi descoberto a partir de investigações coordenadas
pela delegada Adriana de Araújo Correia desde janeiro
de 2008, "com base no cruzamento de dados da Caixa
Econômica Federal e do Ministério do Trabalho".
Auditores do Ministério do Trabalho e da Procuradoria
da República também ajudaram na apuração, que culminou
na operação realizada ontem.
Além dos mandados de prisão e de busca
e apreensão, foram cumpridos 21 mandados de condução
coercitiva nas cidades de Natal, Mossoró, Guamaré e
São Gonçalo do Amarante. Ele explica que esse último
tipo de mandado é para "trazer à força pessoas
para prestarem depoimento, mas são liberadas logo após".
Adriana Correia acrescenta que os mandados "podem
ser convertidos em prisão, caso fique provado algum
crime contra essa pessoa".
Alguns dos pontos alvo da polícia eram localizados no
bairro do Alecrim, na capital potiguar. O nome da operação
faz alusão ao padroeiro dos desempregados.
Marcelo Mosele diz que as pessoas presas
na operação são os líderes do esquema. Seis profissionais
de contabilidade, que não tiveram os nomes revelados,
foram detidos. "A operação se concentrou neles.
Se fôssemos prender todos os envolvidos, seriam centenas
de pessoas".
Lista de crimes
Os grupos, que não tinham qualquer
ligação entre si, vão responder por formação de quadrilha,
estelionato qualificado, falsidade ideológica, e falsificação
e uso de documento. Os acusados permanecerão detidos
por cinco dias na superintedência da PF, mas o prazo
pode ser prorrogado.