MPF revela
nomes dos 20 presos na operação "Transparência".
12/11/09
- 06:00
O Ministério Público Federal na Paraíba
(MPF) aguarda a análise dos documentos apreendidos e
a conclusão do inquérito da Polícia Federal sobre a
Operação Transparência, para decidir sobre a abertura
de processo criminal contra os envolvidos.
A operação foi deflagrada na quinta-feira,
10, pela Polícia Federal (PF), MPF e Receita Federal
do Brasil, para cumprir 36 mandados de busca e apreensão
e a prisão temporária dos seguintes envolvidos: José
Roberto Marcelino Pereira; Adelaido Marcelino Pereira;
José Gildeilson Marcelino Jacinto; Gilson Marcelino
Jacinto; Gilmar Marcelino Jacinto; Rubem Pereira de
Lima; Francinete Pereira da Silva; Alexandre Seixas
Pessoa da Silva; Benigno Pontes de Araújo; Berizomar
Pontes de Araújo; Demóstenes Dias de Medeiros Júnior;
Sérgio Pessoa Araújo; Audy Lopes Fernandes; Antônio
Soares da Silva; Ercijane de Fátima Barreto Chagas;
François de Araújo Morais; Manoel Claudino da Silva;
Marluce Alves Cavalcante; Elias Paulo da Silva e Luiz
Fábio de Sousa e Silva.
A operação teve por objeto desarticular
organização criminosa que agia na constituição de empresas
'de fachada' com a única finalidade de fraudar licitações
públicas em mais de 100 municípios e órgãos públicos
no estado da Paraíba, bem como desviar recursos públicos
que deveriam ser empregados na realização de obras ou
na execução de serviços.
O Ministério Público Federal está adotando
todas as medidas judiciais cabíveis, como o afastamento
cautelar dos servidores públicos federais diretamente
envolvidos na organização criminosa desmantelada. Segundo
o procurador-chefe da República responsável pelo caso,
Victor Carvalho Veggi, há provas da existência do fato
e indícios suficientes da autoria do delito praticado
pelo grupo de fraudadores.
“Os envolvidos podem ser denunciados
pelos crimes de formação de quadrilha, falsificação
de documentos e corrupção, além de crimes contra a ordem
tributária, a depender do resultado final das investigações”,
adiantou o procurador.
Sonegação - Segundo levantamentos realizados
pela investigação, há registros de atuação da organização
criminosa em obras ou serviços públicos desde o ano
de 2004, tendo recebido de municípios, entre os anos
2004 e 2009, mais de R$ 100 milhões, dos quais a investigação,
com a participação direta da Controladoria-Geral da
União, irá demonstrar o quantitativo efetivamente desviado.
A Receita Federal do Brasil apurou,
ainda, que as pessoas jurídicas vinculadas aos investigados
sonegaram, de 2004 a 2008, mais de R$ 130 milhões somente
em tributos federais.
Agora, as pessoas presas, bem como
outras de interesse da investigação, estão sendo ouvidas
pela Polícia Federal, a quem cabe concluir o inquérito
policial e enviá-lo ao MPF.
Transparência - As investigações se
iniciaram a partir da atuação da Receita Federal que
encaminhou relatórios ao MPF, o qual requisitou a instauração
do inquérito policial, contando, ainda, com informações
enviadas pelo Ministério Público Estadual.
De acordo com o procurador Victor Veggi
“a partir de quebras de sigilo pelo MPF à Justiça Federal,
bem como outras diligências empreendidas pela Polícia
Federal, foi possível identificar os envolvidos na organização
criminosa e a atuação em obras do Programa de Aceleração
do Crescimento - PAC, as quais serão auditas pela CGU”.
Ainda de acordo com o procurador, a
organização criminosa atuava diretamente na constituição
de 'empresas fantasmas' e em fraudes em diversas licitações
“independentemente da origem dos recursos, destacando
recursos da Fundação Nacional da Saúde (Funasa)".
Conforme o procurador da República,
as investigações continuam para apurar os desvios de
recursos públicos federais, bem como o possível envolvimento
dos gestores públicos.