Novo Estatuto
do Torcedor deve virar lei até outubro, diz secretário
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19/07/09
- 08:26
São Paulo - Os torcedores de futebol
mais violentos deverão ser punidos em breve com penas
alternativas. O governo espera que o novo Estatuto do
Torcedor se torne lei até outubro próximo. A previsão
é do secretário de Assuntos Legislativos do Ministério
da Justiça, Pedro Abramovay.
As novas regras preveem, por exemplo,
uma pena alternativa para o torcedor violento, em que
ele deverá prestar serviço comunitário, por até três
anos, sempre nos dias e horários em que seu time estiver
jogando. “Essa é uma maneira de tirar do estádio as
pessoas que estão brigando ou atrapalhando”, afirmou.
Segundo ele, o Estatuto do Torcedor
criado em 2003 sofreu alterações e já foi aprovado na
Câmara dos Deputados e na Comissão de Educação, Cultura
e Esporte do Senado. Falta ainda ser aprovado na Comissão
de Constituição e Justiça e no plenário pelos senadores,
seguindo depois para sanção presidencial.
O secretário explicou que “o estatuto
até falava em banimento de torcedores que causavam confusão,
mas era muito difícil de efetivar isso". O que
está sendo criado, segundo ele, é um tipo penal contra
tumulto e briga nos estádios.
“Precisamos do governo e do Judiciário,
com leis mais efetivas e contundentes", defendeu
presidente do Conselho da Torcida Jovem do Flamengo
e presidente da Federação das Torcidas Organizadas do
Rio de Janeiro, José Maria de Sá Freire. "Não é
justo um cara ser pego brigando, com pau e pedra, lesionar,
machucar e ferir gravemente várias pessoas e chegar
num Juizado Especial Criminal, pagar dez cestas básicas
e ser liberado."
O novo Estatuto também estabelece a
punição aos cambistas ou para as pessoas que participarem
de um esquema de desvio de ingressos. “Hoje o policial
não consegue nem apreender os ingressos dos cambistas
porque não é crime, nem nada”, reclamou o secretario.
Outra idéia prevista é a de se aprimorar
e estabelecer os juizados especiais em todos os estádios
brasileiros. Segundo Abromovay, essa medida tem um efeito
muito grande porque permite que se resolva o conflito
no estádio e garante a presença do Estado no local.
Mas muitas propostas para se combater
a violência não estão previstas somente no Estatuto
do Torcedor. Além do governo, há também idéias sendo
discutidas em vários setores da sociedade.
“As organizadas têm trabalhos na área
esportiva e social, com milhares de jovens. Temos sedes
recreativas e administrativas que podem ser pólos do
governo para manter atividades sociais, esportivas,
culturais e até de informática”, diz Freire, representante
das torcidas do Rio de Janeiro.
O promotor de São Paulo Paulo Castilho
também defende a ideia dos trabalhos de inclusão social
com as organizadas. “É preciso que essa torcida organizada
seja realmente organizada e que o Estado fiscalize e
contribua para isso. Mas como fazer isso? Cadastrando,
monitorando essa torcida, acompanhando num serviço de
inteligência”, afirmou.
Para Castilho, o combate à violência
no futebol também passa por uma maior especialização
das polícias, reestruturação dos estádios, urbanização
das cidades e também punição a jogadores e dirigentes
de clubes que incitam a violência.
“É preciso aumentar, com ingressos
promocionais, a ida de mulheres, famílias e de pessoas
da terceira idade e de crianças aos estádios porque
esses grupos naturalmente neutralizam e isolam esses
grupos violentos”, apontou Maurício Murad, sociólogo
e professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro
(Uerj).
Além de ações reeducativas, Murad acredita
até em soluções mais repressivas e de curto prazo, como
a proibição da venda de bebidas alcoólicas no estádios,
o controle da venda dos ingressos e o aumento do transporte
coletivo, principalmente no final das partidas.
“Chegar nos estádios, cada um chega
mais ou menos numa hora. Mas, na saída, sai todo mundo
junto. Aí mora o perigo. E quanto mais rápido a multidão
escoar, menor é a possibilidade de violência, de roubo
e de brigas”, avalia.
Para o ex-preparador físico João Paulo
Medina, criador do projeto Universidade do Futebol,
as soluções para o combate à violência no futebol passam
também por um debate com o meio acadêmico. “Há uma certa
resistência das pessoas mais pragmáticas que acham que
a violência é só um problema de polícia. É um problema
que extrapola sua dimensão policial”, afirma.
A solução, segundo ele, virá somente
quando se pensar a violência no seu aspecto cultural,
vinculada também a problemas como a desigualdade social.
"As saídas vão surgir desses debates”, defendeu
Medina.