Campo Grande (MS) - A população sul-mato-grossense demonstrou
grande ansiedade com a presença da seleção brasileira,
mas não foi recompensada. Em uma noite infeliz nos arremates,
a equipe do técnico Dunga apenas empatou por 0 a 0 com
a Venezuela, no estádio Morenão, em Campo Grande, no
encerramento das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2010.
O resultado pode fazer com que os brasileiros percam
o título simbólico da competição. O Brasil fechou sua
participação com 34. Para completar, os pentacampeões
mundiais perdem o aproveitamento de 100% contra a Venezuela
em Eliminatórias. Nas 13 partidas anteriores, o time
canarinho havia vencido o rival com certa facilidade.
Durante o confronto, a equipe do técnico
Dunga alternou bastante de rendimento. No primeiro tempo,
os donos da casa demoraram a acordar e criaram algumas
chances apenas a partir dos 25 minutos. Na etapa final,
os brasileiros, mesmo com a expulsão de Miranda, pressionaram
bastante, mas pecaram nas finalizações.
Futuro
O técnico Dunga terá mais duas ou três
partidas para fazer suas últimas observações antes de
fechar definitivamente a lista de 23 jogadores que vão
ao Mundial da África do Sul. Até agora, está confirmado
apenas o amistoso da seleção contra a Inglaterra, no
dia 14 de novembro, em Doha, no Catar. Mas a Confederação
Brasileira de Futebol (CBF) aguarda apenas o desfecho
das Eliminatórias para confirmar o outro adversário
que o Brasil enfrentaria quatro dias depois, na segunda
data reservada pela Fifa para os jogos da repescagem
para a Copa.
Nestes dois amistosos em novembro,
Dunga já adiantou que não convocará jogadores que atuam
no Brasil porque o Campeonato Brasileiro estará na reta
final e ele não quer prejudicar os clubes. Assim, podem
surgir algumas novidades, além do retorno de jogadores
que são nomes certos no grupo da Copa, como Robinho,
Felipe Melo, Lúcio, Juan e Júlio Baptista.
Nos bastidores da CBF, especula-se
os nomes de Fábio Aurélio, do Liverpool, e Michel Bastos,
do Lyon. Eles poderiam ser uma alternativa para André
Santos. O titular da lateral-esquerda ainda não convenceu
totalmente, por causa da dificuldade que apresenta na
marcação. Tanto que, na Copa das Confederações, Daniel
Alves, que é destro, foi improvisado na função.
Depois das duas datas em novembro,
a seleção brasileira fará somente mais um jogo antes
da convocação final para a Copa, prevista para 16 de
maio. Esse amistoso acontecerá no dia 3 de março, ainda
sem um adversário definido. Dunga, porém, deixou claro
que quer disputar esse último jogo antes da Copa já
com o grupo que estará na África do Sul.
Argentina confirma a tradição
Montevidéu (Uruguai) - Tenso, catimbado,
feio. Assim pode ser definido o encontro entre Uruguai
e Argentina realizado ontem e que definiu o futuro das
duas seleções nas Eliminatórias para a Copa de 2010.
Cercado de expectativa, o confronto não primou pela
técnica, mas sim pela raça. E nesse quesito, foi difícil
superar os argentinos, que seguraram a pressão dos donos
da casa e, no final, com um gol de Bolatti, saíram vencedores
da batalha: 1 a 0.
O resultado só não foi pior para a
apaixonada torcida uruguaia, que lotou o Centenário
e fez sua parte empurrando a equipe, porque o Chile
fez valer o mando de campo e bateu o Equador em Santiago,
limando qualquer chance do rival em brigar por uma vaga
na repescagem e garantindo os uruguaios na briga com
o quarto classificado da Concacaf.
Se Mario Bolatti marcou o gol que selou
a classificação argentina e ganhou o posto de herói
junto à torcida, dois outros jogadores, bem mais experientes,
deixaram o campo em alta com Maradona e com os passaportes
já carimbados para o Mundial.
Autor do gol da vitória sobre o Peru,
sábado, Martín Palermo não entrou na partida do Centenário,
mas foi bancado no grupo pelo comandante do time nacional
no grupo que viajará para a África do Sul. “Não tenho
dúvidas de que La Bruja (apelido de Verón) e o Palermo
estarão na Copa”, avisou o emocionado treinador.
Ao falar especificamente sobre Juan
Sebástian Verón, um dos jogadores mais experientes do
grupo que comanda, Maradona foi mais além e enalteceu
todas as qualidades do seu camisa 8. “O Verón é um fenômeno.
Ele tinha um ‘doberman’ em sua marcação dentro de campo
e ainda estava machucado, mas me disse que continuaria
e bancou isso. Ele é um monstro”, elogiou.
Bem mais sereno que seu treinador,
o meio-campista, campeão da Libertadores da América
de 2009 pelo Estudiantes, lembrou do sufoco passado
pelo time nacional durante as Eliminatórias e pediu
pés no chão para que a caminhada na África do Sul não
seja tão sofrida. “Agora é hora de acalmar e de pensar
em tudo com muita tranquilidade”, ordenou.
“De todo o coração, quero agradecer
somente ao povo argentino e aos meus jogadores”. Dessa
forma, o técnico Diego Armando Maradona, começou sua
entrevista coletiva. “Vocês (jornalistas) não acreditaram
nessa seleção, me trataram como um lixo e hoje estamos
dentro da Copa do Mundo. Sem a ajuda de ninguém e ganhando
de uma grande equipe como Uruguai, jogando como homens”,
discursou Maradona.
Ajudinha colombiana no final dá “título”
simbólico ao Brasil
Eliminada da Copa do Mundo antes desta
última rodada, a seleção colombiana surpreendeu ontem
e derrotou o Paraguai pelo placar de 2 a 0, em pleno
estádio Defensores Del Chaco, na cidade de Assunção.
Com o resultado, a equipe do lateral esquerdo Armero,
do Palmeiras, impediu os adversários de terminarem as
Eliminatórias Sul-americanas na primeira colocação,
mantendo o Brasil na ponta ao final do torneio.
Bem postada no campo defensivo e apostando
nos contra-ataques, a Colômbia chegou aos dois gols
por intermédio de duas jogadas oriundas dos pés do lateral
palmeirense. Com duas assistências, Armero acabou sendo
o principal destaque da vitoriosa despedida colombiana.
Podendo terminar as Eliminatórias na
liderança, o Paraguai se mostrou muito ofensivo. Mas
a resposta dos colombianos veio da pior forma para os
donos da casa. Aos 16 minutos, Pablo Armero fez boa
jogada pela ponta esquerda e cruzou na medida para Gustavo
Ramos fazer 1 a 0. O gol abateu os donos da casa, que
visivelmente diminuíram o ímpeto ofensivo. Assim, aos
35 minutos, a Colômbia contra-atacou e definiu o marcador.
Armero dominou na intermediária e serviu com maestria
Hugo Rodallega. Com categoria, o atacante ganhou da
zaga adversária e tocou na saída de Villar.