Qualidade
da educação no Brasil ainda é baixa, aponta Unesco .
20/01/10
- 06:10
Relatório indica que índices de repetência
e abandono da escola no País são os mais elevados da
América Latina
Eric Akita, do estadao.com.br
SÃO PAULO - Com índices de repetência
e abandono da escola entre os mais elevados da América
Latina, a educação no Brasil ainda corre para alcançar
patamares adequados para um País que demonstra tanto
vigor em outras áreas, como a economia. Segundo o Relatório
de Monitoramento de Educação para Todos de 2010, da
Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência
e Cultura (Unesco), a qualidade da educação no Brasil
é baixa, principalmente no ensino básico.
Veja o relatório da Unesco
O relatório da Unesco aponta que, apesar
da melhora apresentada entre 1999 e 2007, o índice de
repetência no ensino fundamental brasileiro (18,7%)
é o mais elevado na América Latina e fica expressivamente
acima da média mundial (2,9%).
O alto índice de abandono nos primeiros
anos de educação também alimenta a fragilidade do sistema
educacional do Brasil. Cerca de 13,8% dos brasileiros
largam os estudos já no primeiro ano no ensino básico.
Neste quesito, o País só fica à frente da Nicarágua
(26,2%) na América Latina e, mais uma vez, bem acima
da média mundial (2,2%).
Na avaliação da Unesco, o Brasil poderia
se encontrar em uma situação melhor se não fosse a baixa
qualidade do seu ensino. Das quatro metas quantificáveis
usadas pela organização, o País registra altos índices
em três (atendimento universal, igualdade de gênero
e analfabetismo), mas um indicador muito baixo no porcentual
de crianças que ultrapassa o 5º ano. Problemas que a
educação brasileira ainda enfrenta, a estrutura física
precária das escolas e o número baixo de horas em sala
de aula são apontados pelos técnicos da Unesco como
fatores determinantes para a avaliação da qualidade
do ensino.
Crise financeira
A crise financeira que ainda reprime
o desenvolvimento de países em todo o mundo poderá também
ter um reflexo bastante negativo na educação, alerta
o relatório da Unesco. De acordo com a organização,
o aumento da pobreza e os cortes nos orçamentos públicos
das nações podem comprometer os progressos alcançados
na educação na última década, principalmente nos países
pobres.
"Enquanto os países ricos já estão
criando as condições necessárias para sua recuperação
econômica, muitos nações pobres enfrentam a perspectiva
imediata de uma degradação de seus sistemas educativos",
alerta Irina Bokova, diretora-geral da Unesco. "Não
podemos permitir o surgimento de uma "geração perdida"
de crianças privadas da possibilidade de receber uma
educação que lhes permita sair da pobreza."
Com este cenário, a Unesco avalia que
a comunidade internacional não deverá alcançar nenhum
dos seis objetivos estabelecidos em 2000, em Dacar,
no Senegal, que, juntos, visam a universalização do
ensino fundamental até 2015. Segundo o relatório, seria
necessário cobrir um déficit de US$ 16 bilhões para
atingir essas metas, acabando com o analfabetismo, que
hoje atinge cerca de 759 milhões de adulto no mundo,
e possibilitando que as mais de 140 milhões de crianças
e jovens que continuam fora da escola tenham a oportunidade
de estudar.