O piso salarial dos professores da
rede pública do País aumentará de R$ 950 para R$ 1.024,67
em 2010. O reajuste, anunciado dia 31 pelo Ministério
da Educação (MEC), será de 7,86%. O valor é R$ 255,05
a mais do que o salário médio do brasileiro no mês de
outubro.
A lei do piso foi aprovada em 2008
e a categoria é a única no País a ter um salário mínimo
próprio. Em 2009, segundo uma regra de transição, os
municípios podiam pagar até dois terços do mínimo fixado.
Quando a lei foi aprovada, cerca de 37% dos professores
do País recebiam menos do que o piso.
Atualmente, não há estimativas de quantos
municípios ainda não conseguiram pagar o valor completo.
Estudo feito pelo MEC neste semestre mostra que o salário
médio de professores do País era de R$ 1.527 em 2008.
Uma pesquisa da USP indicou que o professor de ensino
fundamental da rede pública recebe, em média, 11% mais
do que o da rede privada.
Para o presidente da Confederação Nacional
dos Municípios (CMN), Paulo Ziulkoski, boa parte das
prefeituras terá dificuldade em arcar com novos custos
em 2010, quando municípios terão de obedecer o piso
definido pela lei. "Além do piso mínimo do professor,
haverá outros aumentos que as prefeituras terão de pagar",
afirmou.
A secretária de comunicação da União
Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime),
Célia Tavares, defende que o governo federal ajude os
municípios que não conseguem pagar o salário mínimo
a seus professores. A lei do piso determina que a União
ajude Estados e municípios que provem essa incapacidade.
"Esse valor ainda está aquém do que consideramos
efetivamente a valorização do magistério", afirma.
"Mas sabemos também que existem municípios que
não conseguirão pagar."
O aumento foi anunciado ontem pelo
o ministro da Educação, Fernando Haddad, depois de uma
consulta à Advocacia Geral da União (AGU) sobre como
fazer o cálculo do aumento.
A lei que institui o salário mínimo
da categoria afirma que o piso deve acompanhar o reajuste
do valor custo-aluno do Fundeb - fundo que financia
a educação no País - por meio de um valor específico
pago por cada estudante. A dúvida era se tal regra deveria
ser aplicada sobre o valor projetado para 2010 ou o
aplicado em 2009. A AGU considerou mais adequada a segunda
alternativa. Se as contas fossem feitas com o valor
projetado do custo-aluno, o salário seria de R$ 1.415,97.
Ao anunciar os dados, Haddad garantiu
que Estados e municípios teriam condições de arcar com
o reajuste. Uma das razões, segundo ele, seria o aporte
adicional de R$ 1 bilhão do governo federal para Estados
e municípios, resultado do aumento dos repasses para
merenda e transporte escolar . Ele lembrou ainda o aumento
das transferências da União ao Fundeb de R$ 5,07 bilhões,
em 2009, para R$ 7 bilhões, em 2010.
"Com essas alterações, o reajuste
de 7,86% é suportável", avaliou. Ziulkoski classificou
como "propaganda enganosa" o cenário apontado
pelo ministro. "Merenda escolar e transporte é
dinheiro de transferência voluntária. Ele quer que prefeitos
sejam acusados de desviar dinheiro de merenda para pagar
salários?"
Um outro problema está na dúvida sobre
o que deve ser considerado como salário. A interpretação
inicial era a de que gratificações não poderiam ser
consideradas. Liminar no Supremo Tribunal Federal, no
entanto, permitiu somar o salário base a vários tipos
de gratificações.