Depois das
reações negativas, Universidade Bandeirante desiste da
expulsão de aluna .
10/11/09
- 06:04
Da Agência Brasil
Brasília - A Universidade Bandeirante
(Uniban) de São Paulo anunciou na tarde de ontem (9)
que decidiu rever a expulsão da aluna Geisy Arruda,
que foi hostilizada e perseguida por estudantes por
vestir uma saia curta no dia 22 de outubro. A assessoria
da Uniban informou que apenas hoje (10) será divulgado
um esclarecimento da nova decisão.
No começo da noite de hoje, estudantes
realizaram uma manifestação em frente ao campus da Uniban
em São Bernardo do Campo (SP), onde Geisy estuda e teve
os problemas no mês passado. Os protestos deram continuidade
às reações muito negativas que começaram no fim de semana.
A expulsão da estudante foi divulgada
por meio anúncios pagos na edição de domingo de grandes
jornais de São Paulo. “Foi constatada atitude provocativa
da aluna, que buscou chamar a atenção para si por conta
de gestos e modos de se expressar”, diz a nota da Uniban.
A instituição considerou ainda que a atitude dos outros
alunos foi apenas uma “reação coletiva de defesa do
ambiente escolar”.
A União Nacional dos Estudantes (UNE)
condenou de imediato a medida e disse que tentaria conseguir
uma bolsa de estudos para a estudante em outra instituição.
Ainda no dia (8), a ministra Nilcéa Freire, da Secretaria
Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), classificou
de absoluta intolerância e discriminação a decisão da
Uniban.
Hoje, o Ministério da Educação e a
Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também cobraram
explicações e manifestaram estar preocupados com a expulsão
da aluna. Diante da repercussão e da gravidade do caso,
o Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo disse
que abriria um inquérito para apurar o caso.
“O que se espera de uma universidade
é que ela tenha condições de formar cidadãos. No presente
caso, é bastante preocupante a postura da Uniban, que
pode indicar que ela não está preocupada com essa formação
integral. Além disso, aparentemente, a vítima foi transformada
em culpada sem que tivesse a condição de expor a sua
versão dos fatos”, disse o MPF, por meio de nota.