CNE quer
valor mínimo a ser investido em cada aluno de escola pública.
11/10/09
- 08:08
da Agência Brasil
Brasília - Um debate que está sendo
conduzido pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) e
foi idealizado pela Campanha Nacional pelo Direito à
Educação pode mudar a lógica do financiamento educacional
no país. A ideia, que já foi debatida em audiência pública
e será levada à Conferência Nacional de Educação (Conae)
em abril de 2010, é estabelecer um valor mínimo de investimento
por aluno em cada etapa – o chamado custo-aluno qualidade
(CAQ).
"O CAQ inverte a lógica do financiamento.
Hoje o valor é insuficiente porque ele é o que é possível
ter conforme a lei. Ele [o CAQ] inverte a lógica fazendo
o cálculo de quanto o financiamento da educação precisa
ter para garantir a qualidade”, explica Daniel Cara,
presidente da campanha, que é formada por entidades
da sociedade civil. Atualmente o financiamento educacional
é ancorado nos mínimos estabelecidos pela Constituição
– 18% do Orçamento da União, 25% dos cofres dos municípios
e mais a complementação do Fundo de Desenvolvimento
da Educação Básica (Fundeb).
Segundo dados referentes a 2007 divulgados
em abril pelo Ministério da Educação (MEC), um aluno
da educação infantil – etapa que inclui a creche e a
pré-escola - custou R$ 1.647 anuais. Já o CAQ inicial
que está sendo discutido pelo CNE é de R$ 5.266 para
creche e R$ 2.042 para a pré-escola.
No ensino fundamental, em cada estudante
das séries iniciais (1ª a 4ª séries) foram investidos
R$ 2.166 e dos anos finais (5ª a 8ª séries), R$ 2.317
ao longo de todo o ano. O CAQ inicial estabelecido para
essas etapas é de R$ 1.942 e R$ 1.902 respectivamente.
No ensino médio, o gasto público com um aluno foi de
R$ 1.572 em 2007, enquanto a recomendação do CAQ é de
R$ 1.957.
O indicador inclui investimento em
infraestrutura, remuneração e formação de professores,
além de estabelecer números máximos de alunos por turma:
13 para creche, 22 para a pré-escola, de 24 a 30 para
o ensino fundamental e 30 para o ensino médio.
Daniel Cara destaca que o CAQ inicial
não é um valor médio, mas um ponto de partida para se
criar uma nova política de financiamento da educação.
O impacto imediato, caso esses valores sejam adotados,
seria de R$ 29 bilhões ao ano – mais da metade do orçamento
do MEC para 2010.
"A recomendação mínima da OCDE
[Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico]
é um investimento anual por aluno de US$ 10 mil. Ou
seja, o CAQ, comparado com o parâmetro internacional,
ainda é tímido. Mas ele é o custo inicial, é o início
de um novo processo de organização do orçamento público
brasileiro em educação”, defende.
Esta semana, o CAQ foi discutido em
audiência pública no CNE e será tema das conferências
regionais que são preparatórias para a Conae. A ideia
é que, após os debates, ele seja transformado em uma
resolução do conselho e encaminhado ao MEC. O tema também
deve ser incluído no novo Plano Nacional de Educação
(PNE), que será traçado na Conae e aprovado pelo Congresso
em 2010. Esse plano estabelece metas de acesso e qualidade
para o ensino público que devem ser cumpridas em até
dez anos.