Procon vai
instaurar procedimento para apurar erros na conta de luz
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23/10/09 - 06:00
da Agência Brasil
São Paulo - A Fundação Procon, em São
Paulo, vai instaurar procedimento administrativo para
apurar erros na conta de luz dos consumidores brasileiros,
detectados pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Segundo
o TCU, o erro no reajuste das tarifas ocorre desde 2002
e pode ter causado um prejuízo de R$ 7 bilhões aos usuários.
Ainda não há um cálculo estimado de quanto seria o prejuízo
médio para cada consumidor no país.
Na tarde de ontem (22), o Procon, o
Ministério Público Federal (MPF), a Defensoria Pública
e outros órgãos do consumidor estiveram reunidos em
São Paulo com cinco concessionárias que prestam serviços
no estado: a Eletropaulo, a Caiuá, a Elektro, a CPFL
Energia e a Bandeirante Energia.
A intenção do Procon era obter das
concessionárias o compromisso de que esse montante pago
a mais pelo consumidor seria devolvido e também receber
a garantia de que esse valor a mais não continuaria
a ser cobrado. No entanto, não houve acordo, porque
as concessionárias insistem no argumento de que não
estariam ocorrendo irregularidades na cobrança.
Os representantes das concessionárias
falaram com a imprensa. A Associação Brasileira de Distribuidores
de Energia Elétrica (Abradee) se comprometeu a se pronunciar
sobre o caso, mas até o final desta matéria ainda não
havia se manifestado.
“Para os órgãos de defesa do consumidor
há duas questões importantes. Uma é o passado e o que
se propôs é que as concessionárias poderiam iniciar
um procedimento para devolução desses valores. Outro
[problema] é relacionado com o futuro, para que haja
modificação da metodologia e, principalmente, da forma
como a Aneel [Agência Nacional de Energia Elétrica]
vem aplicando isso”, afirmou o diretor-executivo do
Procon-SP, Roberto Pfeiffer, após a reunião.
Aém dos serviços prestados, são cobrados
11 encargos setoriais na conta de luz. Segundo o Procon,
eles servem para “cobrir custos, principalmente com
a obtenção de energia”. O custo total desses encargos
é dividido entre as concessionárias que, por sua vez,
o dividem entre o seu total de consumidores. O problema,
segundo o TCU, é que as concessionárias não estariam
levando em consideração o aumento da demanda de consumidores
a cada ano.
“Esses encargos são arrecadados de
acordo com um valor fixo, que é dividido pelo universo
de consumidores de cada concessionária. Como esse universo
de consumidores aumenta ano a ano e o momento em que
elas [concessionárias] calculam como vão dividir [esses
encargos] para os consumidores têm como base os consumidores
efetivos daquele momento, consequentemente o aumento
de demanda, ou seja, o acréscimo de consumidores faz
com que haja, na visão desse acórdão do TCU, uma apropriação
[pelas concessionárias] desse dinheiro pago a mais”,
explicou Pfeiffer.
Pelo modelo atual do setor elétrico,
as concessionárias não podem obter lucro com a tarifa
desses encargos.
Para corrigir esse erro, o TCU determinou
à Aneel, por meio de um acórdão, que corrigisse essas
falhas na metodologia do reajuste das contas de luz.
Já a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Tarifas
de Energia Elétrica da Câmara dos Deputados informou,
na última segunda-feira (19), que pretende exigir a
devolução do valor pago a mais pelos consumidores.
Em resposta a isso, a Aneel divulgou
um comunicado no último dia 20, contestando o erro no
cálculo dos reajustes tarifários. Segundo ela, “os processos
de atualização tarifária sempre seguiram normas e regulamentos
vigentes. Portanto, não houve benefício indevido a concessionárias
ou consumidores”.
O Procon e os demais órgãos também
pretendem cobrar da Aneel explicações sobre os erros
encontrados na cobrança da conta de luz e sugerir que
a empresa modifique a forma como é calculada a cobrança
desses encargos setoriais. “O consumidor deve aguardar
e cobrar a Aneel. Quem deve uma satisfação à sociedade
e a esses consumidores é a Aneel”, afirmou Pfeiffer.