Abes, que divulgou ontem o número, destacou que, se
a atividade fosse reduzida, a indústria teria R$ 40
mi a mais no seu faturamento
Lucilene Meireles // lucilenemeireles.pb@diariosassociados.com.br
A pirataria de softwares causou um
prejuízo de R$ 27 milhões para a economia paraibana
em 2008, colocando o estado na 19ª posição entre os
que tiveram os maiores prejuízos. Os dados foram divulgados
ontem pela Associação Brasileira das Empresas de Software
(Abes) durante coletiva em um hotel na praia do Cabo
Branco. De acordo com o coordenador do Grupo de Trabalho
Anti-Pirataria da Abes, Antônio Eduardo Mendes da Silva,
se a pirataria total do setor fosse reduzida dos atuais
58% para 50%, a região geraria cerca de 500 empregos
diretos e indiretos, a indústria local teria um acréscimo
no faturamento superior a R$ 40 milhões e o Estado um
aumento na arrecadação de impostos em torno de R$ 6,5
milhões. No Brasil, houve queda no índice de pirataria
pelo terceiro ano consecutivo. No entanto, os prejuízos
aumentaram e foram estimados em US$ 1,645 bilhão.
A Associação Brasileira das
Empresas de Software investe em ações de prevenção Foto:
Fabyana Mota/ON/D.A Press
Para combater a falsificação, só no ano passado foram
realizadas 754 ações no país, que resultaram naapreensão
de 1,6 milhão de CDs contendo produtos piratas. Também
foram retirados do ar 15,3 mil anúncios que divulgavam
o comércio de produtos ilegais e 360 sites que vendiam
softwares piratas, um aumento de 48% em relação a 2007.
Durante o período, de acordo com os dados da Abes, foram
registrados 8,2 mil contatos, por e-mail e por telefone,
relacionados a denúncias e solicitação de informações
que resultaram no envio de 3,1 mil notificações extrajudiciais
às companhias infratoras, crescimento de 9% em relação
a 2007.
Só nos primeiros seis meses de 2009,
foram realizadas mais de 330 ações em todo o Brasil,
que resultaram na apreensão de 612 mil CDs contendo
programas ilegais, o que representa uma média de 55
atuações mensais. Também foram retirados do ar 140 sites
que comercializavam softwares irregulares, além de 10,6
mil anúncios destinados à divulgação do comércio de
produtos ilegais, aumento de 55% se comparado ao mesmo
período do ano anterior. Mendes alertou que até na hora
de adquirir um computador é necessário observar o selo
de autenticidade do produto. "Prezamos por uma
concorrência ética e leal", ressaltou.
O número de CDs e DVDs piratas e virgens
apreendidos na Região Nordeste de janeiro a outubro
de 2009 ultrapassou a cada de 2,1 milhões, um aumento
de 66% em relação ao ano passado. Os números da pirataria
física e virtual são registrados diariamente pela Associação
Antipirataria Cinema e Música. O diretor executivo da
Associação Antipirataria de Cinema e Música (APCM),
Antônio Borges, lembrou que 48% do mercado do setor
fonográfico é tomado pela pirataria, que causou, nos
últimos anos, a perda de mais de 80 mil empregos formais
e uma queda de mais de 50% no faturamento do setor.
Segundo ele, a pirataria ocasionou
o fechamento de mais de 3,5 mil pontos de vendas legalizados
no Brasil, o que significa cerca de 20 mil empregos
a menos. A estimativa com a perda em arrecadação de
impostos é superior a R$ 500 milhões anuais. "Queremos
chamar a atenção das autoridades que a pirataria não
é só um problemasocial, mas econômico e cultural",
destacou. Borges observou ainda que no setor audiovisual
as perdas com a pirataria também são significativas,
já que 59% dos DVDs vendidos no país são falsificados.
Apesar de ser um problema difícil de
combater, as ações para tentar dominar a pirataria têm
trazido resultados positivos. Entre janeiro e outubro
deste ano 220 fraudadores foram condenados no país.
E uma boa notícia, segundo Antônio Borges, é que a população,
mesmo lentamente, vem se conscientizando. Os resultados,
segundo Antônio Eduardo Mendes, da Abes, refletem o
intenso trabalho de repressão à pirataria.