O aumento do salário mínimo para R$
510 deve injetar cerca de R$ 600 milhões a mais na economia
paraibana, segundo estimativa preliminar do Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos
(Dieese). O montante, que corresponde ao valor do reajuste
adicional de R$ 45, foi baseado no estudo de estoque
de trabalhadores do primeiro semestre deste ano, incluindo
pensionistas e aposentados do INSS, que recebiam até
um salário no Estado (aproximadamente de 1,3 milhão
de pessoas). O reajuste do mínimo, que será dado no
dia 1º de janeiro de 2010, vai elevar de R$ 465 para
R$ 510, o que equivale um aumento nominal (sem descontar
a inflação) de 9,68%.
Ontem, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse
que o presidente Lula, que estava em viagem, autorizou
o novo aumento. Segundo o ministro, ficou acertado que
Lula assina hoje a medida provisória com o valor de
R$ 510,00, que terá um aumento real de 5,87%. No país,
o impacto com acréscimo de R$ 45,00 ao Mínimo deve destinar
R$ 26,6 bilhões, beneficiar mais de 46 milhões de trabalhadores
brasileiros e gerar uma arrecadação tributária sobre
o conusmo de R$ 7,7 bilhões.
Dados do INSS na Paraíba revelam que somente nas contas
da Previdência Social, que possui 527,5 mil aposentados
e pensionistas (40% do total dos trabalhadores que recebem
até um Mínimo na Paraíba), o acréscimo será de R$ 23,7
milhões. A folha que atualmente é de R$ 245,3 milhões,
nessa faixa, passará para R$ 269 milhões a partir de
janeiro, sem somar ainda com o valor do aumento dos
aposentados e pensionistas que ganham acima de um salário.
Para o economista e auxiliar técnico do Dieese, Renato
Silva, o impacto do novo Mínimo poderá ser até maior
na economia paraibana. “Como o estoque de trabalhadores
com emprego formal aumentou de forma mais intensa no
segundo semestre deste ano no Estado, esses números
deverão adicionar mais ainda esses valores”, revelou
o economista, acrescentando que os números finais sobre
o impacto do reajuste somente serão conhecidos em janeiro,
quando os dados atualizados dos trabalhadores que recebem
um Mínimo serão consolidados.
Dados do Cadastro Geral do Empregados e Desempregados
(Caged) mostram que de janeiro a novembro deste ano
foram criados na Paraíba mais de 102,1 mil postos contra
87,8 mil desligamentos, gerando um saldo de 14,2 mil
empregos com carteira assinada. Dependeno dos ajustes
que ocorrem em dezembro nos empregos temporários, a
Paraíba poderá ter um dos melhores saldos de emprego
formal da série Caged, iniciada em 1999.
O presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes
Lojistas do Estado (FCDL-PB), José Artur de Melo Almeida,
disse que “o reajuste é bem vindo e a conquista do novo
valor significativo para a economia do Estado”, mas
também cobrou vigilância das agências de regulação sobre
os reajustes das tarifas públicas em 2010 como forma
de evitar a perda do ganho real dos trabalhadores.