Americanos e europeus estudam regulação
mais dura com base em problemas climáticos, trabalhistas
e de segurança
Raquel Landim
Estão surgindo novas ameaças às exportações brasileiras
nos maiores mercados do mundo, Estados Unidos e União
Europeia. Três grupos de barreiras preocupam: ambientais,
trabalhistas e de segurança. Deputados americanos e
europeus debatem novas legislações sobre esses temas,
que são foco da agenda comercial.
Estudo da Federação das Indústrias
do Estado de São Paulo (Fiesp) aponta que por ano 15,4%
das exportações brasileiras para os EUA - o equivalente
a US$ 5 bilhões - estão na mira da nova legislação americana
de mudanças climáticas. A lei pode atingir as vendas
brasileiras de aço, celulose, papel e alumínio.
O aquecimento global tornou o tema
ambiental urgente. O presidente Barack Obama deu sinais
de que está disposto a assumir compromissos na reunião
de Copenhague. Preocupadas em ficar em desvantagem com
outros países, as empresas americanas exigem compensações.
Existem dois projetos sobre o tema
no Congresso americano. O mais provável é que sejam
aprovadas medidas que obriguem os importadores a comprar
licenças para emissão de carbono. "Isso joga o
ônus da adaptação nos países em desenvolvimento",
disse o diretor de relações internacionais da Fiesp,
Mário Marconini.
A União Europeia também estuda a adoção
de uma "taxa de carbono" contra produtos importados,
caso os países emergentes não se disponham a assumir
compromissos equiparáveis aos ricos de redução de emissões
em Copenhague.
Segundo a consultora da Confederação
Nacional da Indústria (CNI), Sandra Rios, essas tarifas
distorcem a negociação climática, que reconhece que
os países ricos e em desenvolvimento têm responsabilidades
diferentes pelo aquecimento global. "O problema
é que essas tarifas vão equiparar os esforços. As nações
emergentes têm de manter seu crescimento."
Nas discussões trabalhistas, os sindicatos
ganharam força para defender regras rígidas em acordos
comerciais, depois do desemprego causado pela crise
e do apoio decisivo a Obama. A maior preocupação é com
o trabalho escravo e infantil.
Tramita no Congresso dos EUA um projeto
para reformar a lei de aduanas. Segundo o diretor executivo
da Coalização das Indústrias Brasileiras, com sede em
Washington, Diego Bonomo, pode entrar em vigor uma nova
lista de produtos feitos com trabalho escravo e infantil,
que ficariam impedidos de entrar no país. A lista inclui
13 itens brasileiros, como algodão, calçados e tabaco.
A segurança também ganhou relevância
desde os ataques de 11 de setembro de 2001. O Congresso
concedeu um mandato para o Executivo americano escanear
100% dos contêineres que chegam ao país. Existe um projeto-piloto,
mas a administração federal argumenta que não há condições
de colocar a lei em prática.