Isenção vai valer até março. Também foi anunciado que
materiais de construção terão desconto por mais tempo
Brasília - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, comunicou
ontem que o governo federal reduziu a zero a alíquota
do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para
vários tipos de móveis até 31 de março do próximo ano.
Outra medida foi prorrogar a desoneração de impostos
para materiais de construção, que acabaria no fim do
ano e passa a ser até 30 de junho de 2010. Para os dois
casos, os benefícios começam a valer quando a Receita
Federal publicar as medidas no Diário Oficial da União,
o que deve ocorrer até o fim do mês.
As desonerações terão, no total, impacto
de cerca de R$ 900 milhões nos cofres públicos. A redução
de IPI para os materiais de construção, que engloba
38 itens, provocará renúncia fiscal de R$ 686 milhões.
Segundo o ministro da Fazenda, a redução para os materiais
de construção foi prorrogada porque esse tipo de produto
tem um ciclo mais longo de compra. "O cidadão toma
a decisão de fazer uma reforma, mas só compra os materiais
ao longo do tempo. Por isso, entendemos que a desoneração
para o setor deve ser estendida até junho, quando as
obras estiverem sendo concluídas", explicou.
Para os móveis, a diminuição de impostos
trará impacto de R$ 217 milhões. A redução do IPI do
segmento até o final de março foi uma medida necessária
porque o setor é dependente das exportações e ainda
não se recuperou da crise econômica mundial. "O
setor de móveis está se recuperando mais lentamente
que o conjunto da indústria. Depende de exportações,
que ainda não se voltaram aos níveis de antes porque
a renda dos outros países ainda não se recuperou",
declarou.
As desonerações via IPI têm sido frequentes
nas últimas semanas. Anteontem, foi anunciada redução
para carros flex 1.0, que ficariam com alíquota de 7%
até janeiro e vão ficar com 3% até março. No mês passado,
a determinação foi de imposto menor para eletrodomésticos
que economizam energia. O ministro afirmou, ainda, que
não existe nenhuma decisão tomada em relação à redução
de impostos para materiais escolares. "O presidente
Lula me pediu para estudar oque pode ser feito, mas
é importante lembrar que os livros didáticos, por exemplo,
já são desonerados", explicou.