Copa, Olimpíadas
e pré-sal podem gerar bons lucros para pequenas empresas,
diz Sebrae .
06/10/09
- 06:00
da Agência Brasil
Rio de Janeiro - O país tem três grandes
oportunidades de negócios para os micro e pequenos empresários
nos próximos anos: a Copa do Mundo de 2014, as Olimpíadas
de 2016 e a exploração do petróleo da camada pré-sal.
Mas para conseguir ter ganhos será preciso formalizar
suas atividades e criar consórcios
O assunto foi debatido ontem (5), no
primeiro dia do 2o Encontro Nacional de Oportunidades
para as Micro e Pequenas Empresas nas Compras Governamentais
(Fomenta). O evento ocorre até o próximo dia 7, no Rio
de Janeiro.
Para o gerente de Políticas Públicas
do Sebrae Nacional, Bruno Quick, grandes eventos como
a Copa do Mundo ou as Olimpíadas estão repletos de boas
oportunidades para as micro e pequenas empresas, desde
que estejam regularizadas.
“Existe a meta de regularizar um milhão
de empreendedores individuais no Brasil. Se essas pessoas
se regularizam, passam a ficar visíveis. Assim, os governos
e as entidades que estão aí para dar apoio podem enxergá-los”,
disse.
Segundo Quick, não só as grandes empresas
vão lucrar com os eventos esportivos, mas que há lugar
também para os pequenos empreendedores: desde os serviços
de apoio ao turista, como de guias e intérpretes, passando
por restaurantes, operadores de transporte e outras
facilidades que serão necessárias para receber os milhares
de visitantes que virão ao Brasil e especialmente ao
Rio de Janeiro.
A secretária adjunta da Secretaria
Nacional de Logística e Tecnologia da Informação do
Ministério do Planejamento, Loreni Foresti, chamou a
atenção para a necessidade das pequenas empresas formarem
consórcios para poderem oferecer produtos em grande
escala e a preços competitivos à grandes compradores,
entre elas as empresas estatais e ao próprio governo
federal, tanto nas obras do PAC, quanto na exploração
do pré-sal.
Segundo ela, desde 2007, com a efetiva
aplicação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa (Lei
Complementar 123/06) as compras governamentais de pequenos
e micro empresários vêm aumentando consideravelmente.
Em 2007, o segmento respondia por 8% das compras, percentual
que saltou para 44% este ano.
Outro fator que contribuiu para o crescimento
dos pequenos foi a adoção do pregão eletrônico, possibilitando
que o empresário venda ao governo, de qualquer lugar
do país, por meio da internet.
“Aqueles pequenos empresários que anteriormente
tinham que se deslocar para participar das licitações
não precisam mais sair de seus locais. Com isso, aumentou
a quantidade de fornecedores das diversas regiões”,
disse Loreni.
Segundo ela, com a entrada de novos
concorrentes, acabaram os cartéis que dominavam determinados
setores. Com isso, só no ano passado, o governo conseguiu
melhores negócios e gerou uma economia de R$ 3,8 bilhões,
sendo R$ 1,9 bilhão com os micro e pequenos empresários.
De acordo com o gerente do Sebrae,
um empecilho para o aumento das compras governamentais
com as pequenas e micro empresas é a falta de regulamentação
da Lei 123/06. Embora a lei tenha entrado em vigor em
dezembro de 2006, apenas o governo federal e 13 estados
regulamentaram o Inciso 5o, que estabelece a exclusividade
em compras de até R$ 80 mil e preferência em caso de
empate com uma empresa maior.
Do total de 5.563 municípios brasileiros,
apenas 818 têm leis municipais sobre o tema, o que corresponde
a apenas 15,24% do total. “É importante que os empresários
pressionem, por meio de suas associações, para que esses
governos priorizem a regulamentação da lei”, recomendou
o diretor do Sebrae.