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CULTURA E LAZER
Mudanças põem em risco tradições juninas .
24/06/09 - 09:00

Por: JOÃO PAULO MEDEIROS


Foto: Jornal da Paraíba

É difícil imaginar a cultura no Nordeste sem as tradições surgidas a partir das festas realizadas durante o mês de junho, que possuem como pano de fundo a devoção em São João, São Pedro, e Santo Antônio, três dos principais nomes da história do catolicismo. Mais do que o espetáculo de mega-eventos e a alegria do forró pé-de-serra, as festas juninas também têm um significado religioso bem mais antigo, mas um processo contínuo de modificações na forma de realização dos eventos têm ameaçado as tradições religiosas da festa.
Na Paraíba, o mês de junho transforma cidades inteiras com bandeiras, fogueiras e balões coloridos e arrasta milhares de pessoas a eventos realizados em municípios como Campina Grande (Maior São João do Mundo), Patos, Santa Luzia e João Pessoa. Quadrilhas, comidas fabricadas com o milho produzido nas próprias comunidades, e muito arrasta-pé contagia e atrai turistas de várias partes do país para o Estado.
O arcebispo da Paraíba, dom Aldo Pagotto, possui uma opinião clara acerca da forma como as festividades juninas são realizadas na atualidade. Ele acredita que o processo de ‘marketização’ dos eventos põe em risco as tradições culturais e religiosas do povo nordestino. “O caráter das festas populares vai cedendo espaço para ambientes “marketizados”. A ansiedade de empresários visando a lucros leva-os a elaborarem esquemas que transmutam as festas juninas, absorvendo-as na lógica do mercado competitivo. A padronização das festas populares convenciona formas de diversão que não geram o congraçamento entre pessoas e famílias”, observa o arcebispo. Ele ainda ressaltou que “os costumes e tradições populares mudaram, porque nossas intuições e intenções são outras. A absorção da espontaneidade popular cede para os condicionamentos que acabam nos manipulando”.
De acordo com historiadores, as tradições estão relacionadas com a festa pagã do solstício de verão (século XII), que era celebrada no dia 24 de junho, e com o passar do tempo foi cristianizada na Idade Média como “festa de São João”. Em pouco tempo, as celebrações invadiram praticamente todos os países da Europa cristã e chegaram ao Brasil através dos portugueses, durante o processo de colonização.
Para o bispo da Diocese de Campina Grande, dom Jaime Vieira Rocha, as festas “contam com a agregação de valores culturais do Nordeste” e coincidem com a época das colheitas região. Ele lembrou que as festividades vêm passando por modificações no decorrer dos anos, mas deve continuar com o mesmo sentido, o de “servir como inspiração para a vocação à santidade. Devemos sempre lembrar de São João Batista como o santo que nos aponta para o sagrado”, destacou o bispo.
João Batista, conforme a religião católica, foi o santo responsável por anunciar a chegada de Jesus Cristo e batizá-lo às margens do Rio Jordão. “Nem sempre os fiéis se lembram dessa parte da história”, ressalta Dom Jaime, preferindo apenas o apego às comemorações profanas das datas.
FOGUEIRAS
Até mesmo o modo de organizar a fogueira mantém peculiaridades em cada uma das festas. A fogueira em homenagem a Santo Antônio é feita em formato quadrangular, enquanto a de São João de forma cônica e com base redonda e a de São Pedro triangular.
A tradição das fogueiras é cultivada inspirada em costumes existentes nas montanhas de Judá, quando, devido à falta de comunicação, os integrantes das comunidades acendiam os utensílios para sinalizarem algum fato. Afirmam os historiadores que quando o próprio João Batista nasceu a sua mãe Isabel teria construído uma fogueira para anunciar à Maria, mãe de Jesus, a sua chegada ao mundo.

Jornal da Paraiba

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