Aproveite a energia dos seus filhos para conhecê-los
melhor, com opções fáceis e baratas ao ar livre
Gabriela Freire // gabrielafreire.rn@diariosassociados.com.br
Você já brincou com o seu filho hoje?
E ontem? Se a resposta foi não para as duas perguntas,
leia essa matéria com muita atenção. Brincar é tão importante
para a criança como trabalhar é para o adulto. E é no
ato de brincar que ela aprende a relacionar-se com os
outros e com o mundo. É o que a faz ativa, criativa
e feliz. Com as brincadeiras a criança faz amigos, aprende
a compartilhar e a respeitar o direito dos outros e
as normas estabelecidas pelo grupo.
Para a psicóloga Denise Rocha, o brincar é a forma mais
espotânea da criança se expressar. Ela frisa a importância
dos pais participarem das brincadeiras: "É uma
forma de estar perto delas e entendê-las. É a forma
mais natural dos pais conhecerem a criança e dá possibilidade
de conhecer o mundo interno das crianças".
Com as brincadeiras, a criança também
aprende a envolver-se nas atividades apenas pelo prazer
de participar, sem visar recompensas nem temer castigos.
Brincando, a criança estará buscando sentido para sua
vida. Sua saúde física, emocional e intelectual depende,
em grande parte, dessa atividade lúdica. As crianças
que não brincam, afirma a psicóloga, perdem a melhor
fase da vida. "Brincar é uma riqueza. A criança
que não brinca perde o direito de ser criança".
O brincar também tem importância nas
etapas do desenvolvimento infantil. A criança começa
a brincar sozinha, manipulando objetos. Posteriormente,
procurará companheiros para as brincadeiras paralelas
(cada um com seu brinquedo), e, por fim, desenvolverá
o conceito de grupo e descobrirá os prazeres e frustrações
de brincar com os outros, crescendo emocionalmente.
Ciente da importância dessa atividade,
o Diário de Natal preparou um guia para pais e filhos
com dez excelentes brincadeiras para serem executadas
ao ar livre. A sugestão é desligar a televisão, sair
do ar-condicionado e soltar as crianças (as suas e a
que existe dentro de vocês, pais).
Amarelinha ou pular amarelinha
Essa é uma das brincadeiras de rua
mais tradicionais do Brasil. Percorrer uma trajetória
de quadrados riscados no chão de pulo em pulo chegou
aqui com os portugueses, há mais de 500 anos. Mas antes
que os meninos reclamem, um aviso: essa brincadeira
não é só de meninas. Além de divertida, a atividade
estimula a criança a ter noções dos números, trabalhando
a ordem das casas numéricas do número um ao número dez.
Também estimula a habilidade do equilíbrio e, para os
pais mais religiosos, guarda uma boa metáfora para a
vida: "atingir o céu, não cometer erros no percurso
e sempre evitar o inferno", descreve Renata Meirelles,
autora do livro Giramundo.
Esconde-esconde
A brincadeira tem a corrida como principal
elemento. E isso é ótimo para usar a energia que a criançada
tem de sobra. O esconde-esconde é uma das mais conhecidas.
Um dos participantes é escolhido "para contar"
enquanto os outros se escondem. O critério de escolha
pode ser 'zerinho ou um' ou tirando palitinho. Um local
deve ser definido como a "mancha". Depois
de contar até o número definido, se grita "lá vou
eu". Quem for achado deve correr até a mancha,
para tentar se salvar antes que quem estava contando
chegue ao local.
Bandeirinha
Para brincar de bandeirinha, divide-se
as crianças em dois times com o mesmo número de crianças.
Uma linha é traçada dividindo os dois campos. É fixada
a bandeirinha em cada campo. As duas bandeirinhas ficam
na mesma distância da linha central. Depois disso, começa
o jogo quando os membros dos grupos tentam entrar no
campo do outro, tentando trazer da bandeira para o seu
campo. O time que conseguir primeiro é o vencedor. Durante
o jogo a criança que for pega dentro do campo adversário
será "colada". Se for pega com a bandeirinha
na mão, ficará "colada" no local onde a bandeirinha
estava fixada. Se a criança colada não estiver com a
bandeirinha na mão, ficará colada no lugar onde for
pega. A criança pode ser deslocada por outro jogador
do seu time que por acaso chegue ao campo adversário.
Pular corda
Enquanto dois jogadores rodam a corda,
cada um do grupo pula cantando a cantiga: "Um homem
bateu na minha porta e eu abri. Senhoras e senhores,
pulem num pé só. Senhoras e senhores, ponham a mão no
chão. Senhoras e senhores, dêem uma rodadinha. E vão,
pro olho da rua!" (sai da corda). Quem conseguir
chegar primeiro ao final, sem errar no pulo, será o
vencedor. Existem dezenas de cantigas que podem animar
ainda mais a brincadeira.
Biloca ou bola de gude
Existem várias maneiras de jogar. Pode
ser com o objetivo de conquistar as bolas do adversário
ou simplesmente testar a precisão dos movimentos. As
jogadas podem ser de feitas de perto, de longe, de uma
vez só ou aos "petelecos". O chão de terra
é o ideal, já que algumas modalidades pedem pequenos
buracos no caminho.
Peteca
O jogo é antigo e agrada crianças e
adultos. Para jogar, basta bater no fundo da peteca
e arremessá-la para quem estiver na roda ou no outro
lado da quadra. Marca ponto quem não deixa a peteca
cair. Em 1985, o jogo da peteca virou esporte, com o
reconhecimento do Conselho Nacional de Desporto.
Bola
As brincadeiras com bola são as mais
democráticas de todas. Bater uma bola, jogar uma pelada.
Não importa. Essa brincadeira, sem dúvida, está entre
as 10 preferidas das crianças. A bola exerce um enorme
fascínio sobre elas. Jogar futebol ajuda na motricidade,
no respeito, no estabelecimento e criação de regras,
melhora a lateralidade e a noção de espaço, ajuda na
socialização e também na linguagem. Outras dicas de
brincadeiras com bola são: sete cortes, sete pecados,
queimada, bobo.
Pipa
Papel colorido, plástico ou náilon,
varetas e cola. Não precisa muito mais do que isso para
fazer uma pipa, brincadeira que encanta e diverte adultos
e crianças. Pode até parecer complicado, mas com uma
certa habilidade e criatividade, qualquer pessoa consegue
montar uma pipa. Para soltar pipa é preciso muito vento
e cuidado. A dica aqui é evitar dias chuvosos e proximidade
com a rede elétrica.
Cantigas de roda
As cantigas de roda, ou cirandas, fazem
parte do folclore brasileiro. Para executá-las, basta
formar um grupo de crianças com as mãos dadas e cantar
músicas cujas letras sejam de fácil compreensão, abordando
temas referentes à realidade infantil, ou ao seu universo
imaginário, se possível com coreografias. E são de grande
importância para a cultura popular, porque através dela
é possível transmitir noções como as de comportamento
e outras informações do cotidiano.
Andar de bicicleta
Para uma criança, ter uma bicicleta
é quase o sonho da casa própria para os adultos. Por
isso que a escolha dessa atividade é uma alternativa
acertada. Sentir o vento no rosto e conhecer novos espaços
é a graça dessa brincadeira que, quem sabe, pode transformar
seu filho em um grande atleta no futuro. A participação
dos pais é fundamental. Pedalar junto com os filhos
é divertido e um ótimo incentivo. Se a criança ainda
não souber pedalar, uma cadeirinha acoplada é uma opção.