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CIÊNCIA E TECNOLOGIA
Vacina reduz riscos de contrair Aids.
25/09/09 - 06:14

Jamil Chade - Agência Estado

Genebra - Euforia. Era o sentimento predominante ontem nos corredores da Organização Mundial da Saúde (OMS). Isso graças à revelação de que uma combinação de duas vacinas que haviam fracassado em proteger contra a Aids no passado, agora passou a dar resultados, ainda que modestos. A descoberta está sendo considerada histórica. Por outro lado, cientistas e entidades internacionais insistem que a população mundial não deve ainda considerar a guerra contra a aids vencida.

Pacientes infectados pelo vírus da Aids esperam por tratamento na Tailândia, onde é alto o número de pessoas mortas pela doença
Cientistas descobrem - 25 anos após a eclosão da pandemia e depois de inúmeros testes fracassados pelo mundo - que a combinação das duas vacinas reduziu em 31,2% o risco de uma pessoa ser infectada pelo vírus HIV. O teste foi o primeiro a demonstrar a proteção de seres humanos contra a aids, 18 anos depois do início dos primeiros trabalhos que agora começam a dar resultados.

A pesquisa, que custou US$ 105 milhões aos cofres americanos, foi realizada com 16,3 mil voluntários na Tailândia, um dos locais considerados como laboratório a céu aberto para testes de medicamentos contra a doença. Metade recebeu há três anos a versão final da vacina. Os outros 8 mil receberam um produto sem qualquer efeito. O trabalho foi conduzido pelo Programa de HIV do Exército Americano, em colaboração com centros de pesquisa e com o Ministério de Saúde da Tailândia. A OMS ainda deu suporte logístico e técnico.

A vacina, portanto, é considerada o ‘Santo Graal’ na ciência hoje. Por ano, a ONU estima que 2 milhões de pessoas morrem por causa do vírus e 33 milhões estariam infectadas. Desde os anos 80, cerca de 25 milhões de pessoas já morreram. Em várias regiões, a doença nutre o subdesenvolvimento e a pobreza.

O teste foi realizado com duas doses de vacinas. A primeira foi usada para imunizar o sistema contra o vírus e a segunda, para fortalecer a resposta. As vacinas são a Alvac, da francesa Sanofi Pasteur, e a AIDSVAX, de propriedade da entidade sem fins lucrativos Global Solutions for Infectious Diseases. As vacinas já haviam fracassado no passado e foram abandonadas por cientistas. A decisão do Exército americano de voltar à testá-las, agora de forma conjunta, foi duramente criticada por cientistas, que julgavam ser uma perda de dinheiro.

Brasil

Apesar de ressaltar que a eficácia da nova vacina ainda é parcial e restrita a uma minoria, a coordenadora da Unidade de Pesquisa do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Cristina Possas, disse que o resultado incentivará o Ministério da Saúde a destinar mais recursos no desenvolvimento de uma vacina contra a aids. Além disso, a descoberta ajudará o Ministério a definir quais projetos receberão o restante dos R$ 25 milhões que serão investidos até 2012. Atualmente, 13 estudos em andamento recebem financiamento federal.

Tribuna do Norte

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