Pesquisador
diz que doença mostrou fragilidade do mundo .
12/08/09
-06:13
Rio de Janeiro - A pandemia de influenza A (H1N1) -
gripe suína serviu como "lição para mostrar a fragilidade
do mundo" no que se refere ao controle de epidemias
e ao estoque de vacinas. A afirmação é do especialista
em virologia Alexandre Machado, do Centro de Pesquisas
René Rachou, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que
pesquisa o desenvolvimento de vacinas contra influenza
e outras doenças.
Há cinco anos, Alexandre Machado e
um grupo de pesquisadores do Centro René Rachou vêm
estudando uma forma de produzir vacinas bivalentes para
a influenza (ou seja, que imunizam contra a gripe e
uma segunda doença com uma única dose), usando uma técnica
conhecida como genética reversa.
Segundo essa técnica, já usada por
alguns laboratórios estrangeiros, os segmentos genéticos
do vírus são isolados e colocados dentro da célula de
uma bactéria, que será usada para imunizar a pessoa.
A nova técnica difere da tradicional, que consiste na
inoculação do vírus dentro de um ovo de galinha para
produzir uma dose da vacina.
Com a técnica de genética reversa,
explica Machado, o número de doses de vacina não ficará
mais restrito à disponibilidade de unidades de ovos
de galinha e isso pode ampliar a capacidade de produção
de doses.
“O que a gente espera é que, futuramente,
quando houver outra pandemia, a gente consiga produzir
uma vacina nacional e não fique tão dependente de tecnologia
estrangeira. Mas também esperamos poder contribuir com
qualquer instituição pública ou privada que tenha interesse
em produzir a vacina”, disse Machado.
Segundo o pesquisador, por enquanto
a pesquisa está sendo feita com camundongos e envolve
um vírus influenza que afeta apenas esses animais. Dentro
de dois anos, ele espera que os estudos avancem a tal
ponto que já seja possível trabalhar com os vírus influenza
que atingem humanos, como o Influenza H1N1, causador
da gripe suína.
Alexandre Machado prevê que serão necessários
pelo menos três anos para que seja desenvolvida uma
vacina brasileira, a partir dessa nova técnica. Para
ele, é preciso, no entanto, continuar os estudos, mesmo
que seja para uma época futura.
“Para você ver, o problema [da gripe
suína] começou em abril. Mas, mesmo em países como os
Estados Unidos ou a França, onde já se tem a técnica
de genética reversa implantada, só em setembro eles
terão os primeiros lotes da vacina. E já estão anos-luz
à frente. No nosso caso, a gente está nos primeiros
passos na caminhada de mil milhas, mas nós estamos caminhando”,
disse.