Operador
do sistema elétrico é vulnerável a ataque de hackers.
16/11/09
- 06:13
da Folha Online
Hoje na Folha Falhas que causavam a
vulnerabilidade do site do ONS (Operador Nacional do
Sistema Elétrico) à invasão de hackers foram corrigidas
na sexta-feira, três dias após o apagão que afetou 18
Estados brasileiros, informa reportagem de Fernando
Rodrigues para a Folha (íntegra disponível para assinantes
do jornal e do UOL).
De acordo com a reportagem, setores
do site permitiam identificar programas internos usados
pelo órgão para armazenar dados. Há indicações de que
porções do sistema elétrico monitorado podem ser acessados
à distância.
A Folha consultou várias autoridades
do governo sobre a possibilidade de ataques por meio
da internet aos sistemas de empresas de energia. O ONS
e a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), entre
outros órgãos governamentais, negaram haver essa possibilidade.
Não há indicações de que possa ter
havido, de fato, uma invasão de hackers em empresas
de energia no Brasil ou no ONS --nem que o blecaute
da última terça tenha sido causado pela queda no sistema
de computadores. A vulnerabilidade no sistema do ONS,
no entanto, ficou disponível a quem tivesse interesse
de provocar problemas nos computadores do órgão.
Apagão
O ministro Edison Lobão (Minas e Energia)
reafirmou no início da noite de quarta-feira (11), em
Brasília, que o apagão que atingiu 18 Estados ocorreu
devido a fenômenos climáticos. Segundo ele, descargas
atmosféricas, ventos e chuvas muito fortes na região
de Itaberá (SP) foram a causa do desligamento de três
linhas de transmissão e o consequente desligamento da
usina hidrelétrica de Itaipu.
Lobão afirmou que o próprio Inpe (Instituto
Nacional de Pesquisas Espacias) confirmou a concentração
muito grande desses fenômenos na região. Mais cedo,
no entanto, técnicos do Elat (Grupo de Eletricidade
Atmosférica), do Inpe, informaram que as chances de
um raio ter sido a causa do apagão são mínimas.
A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil)
admitiu nesta quinta-feira (12) que o Brasil não está
livre de sofrer novos blecautes, como o que deixou 18
Estados às escuras nesta terça (10). "Nós não estamos
livres de blecaute", afirmou. "O que nós prometemos
é que não terá neste país mais racionamento", completou
a ex-ministra de Minas e Energia.
"Nós trabalhamos com sistema de
transmissão de milhares de quilômetros de rede, e interrupções
desse sistema ninguém promete que não vai ter. Nós prometemos
que não terá racionamento, porque racionamento é barbeiragem",
afirmou Dilma, que ainda negou que o país tenha sofrido
um apagão. "Não teve [apagão]. Uma coisa é blecaute
[outra é apagão]".
De acordo com o governo, foram desligados
28,8 mil MW (megawatts) de carga no SIN (Sistema Interligado
Nacional) nesses 18 Estados, o equivalente ao dobro
da potência instalada de Itaipu. No Paraguai, houve
interrupção de 980 MW de carga.
O problema começou às 22h13, quando
ocorreu perturbação geral, envolvendo diretamente a
região Sudeste e Centro-Oeste, desencadeando desligamentos
automáticos.
Os dados do operador apontam que às
22h29 a carga da região Sul já estava restabelecida,
da região Centro-Oeste às 22h50 e da região Nordeste
às 22h55. Às 23h50 foi restabelecida a carga de Minas
Gerais.
O restabelecimento gradativo de energia
em São Paulo começou à 0h04 e no Rio de Janeiro e Espírito
Santo à 0h40. À 1h44 foi restabelecido o SIN. Mas o
problema todo foi sanado às 3h15 de quarta-feira (11).
Investigação
O MPF (Ministério Público Federal)
abriu um procedimento administrativo para apurar as
causas e os responsáveis pelo blecaute desta semana.
O trabalho ocorrerá em duas fases: coleta das informações
e apuração pelos procuradores nos Estados.
A Procuradoria estabeleceu 72 horas
para que o Ministério de Minas e Energia, o ONS (Operador
Nacional do Sistema Elétrico), a Aneel (Agência Nacional
de Energia Elétrica) e a Itaipu Binacional apresentem
explicações. Todos já foram notificados via fax, na
quarta-feira (11), segundo o procurador Marcelo Ribeiro
de Oliveira, do Grupo de Trabalho Energia e Combustíveis.
No entanto, poderão aguardar a chegada do documento
original para cumprir o prazo.
À Folha Online Oliveira afirmou que
espera concluir a primeira etapa da apuração em 15 dias
--prazo que pode ser prorrogado. Ele espera receber
uma documentação completa sobre as causas do apagão
para que sejam cobrados os direitos dos consumidores
e a garantia dos serviços.