Rio de Janeiro - O diretor-presidente do Operador Nacional
do Sistema (ONS), Hermes Chipp, assegurou ontem (17)
que não houve falhas, sejam operacionais ou de manutenção
dos equipamentos no blecaute que atingiu 18 estados
no último dia 10. Segundo ele, não há nenhum sistema
imune a esse tipo de problema.
“Não há sistema no mundo imune a blecautes.
O que nós queremos é cada vez mais pegar essa experiência,
olhar a leitura do sistema por meio do disparo dos nossos
oscilógrafos, que são as nossas caixas-pretas, para
poder criar as propostas, as recomendações, para minimizar
o efeito dominó e o tempo de recomposição”, disse.
Chipp, disse ainda que a causa do blecaute
não é o mais relevante. “O relevante é você minimizar
o efeito. O fundamental para a sociedade é você, com
causas similares a essa, minimizar o efeito”. As medidas
em estudo objetivam “mitigar o efeito dominó”, uma vez
que não é possível evitar a realização de eventos similares.
A princípio, o ONS está trabalhando
com duas hipóteses para o curto-circuito com descarga
elétrica que provocou o apagão: condições climáticas
desfavoráveis e descarga elétrica. “Pode ter outras.
Essas são as que a gente consegue ventilar”, afirmou
Chipp.
A primeira hipótese em análise são
condições meteorológicas adversas, que englobam descargas
atmosféricas, popularmente chamadas de raios, acompanhadas
de chuvas e ventos intensos. O desligamento das linhas
pode se dar com uma descarga atmosférica. “É uma hipótese”.
A capacidade dos equipamentos de suportar
as tensões elevadas foi reduzida e pode ter rompido
o isolamento, gerando uma descarga elétrica, o que dá
o curto-circuito.
“A outra hipótese, devido ao fenômeno
curto-circuito da forma como foi, praticamente simultâneo,
um monofásico evoluindo para trifásico, é que as elevações
da voltagem nas fases sãs podem ter sido superiores
à tensão de suportabilidade do isolador. Aí, você reduz
a suportabilidade, que causa a descarga elétrica, atinge
o condutor e provoca o curto”, informou o diretor-presidente
do ONS.
O desligamento triplo das linhas de
transmissão de Itaipu pode ser caracterizado como uma
eventualidade que não poderia ser evitada, comentou
Chipp. O ONS foi informado das condições climáticas
adversas pelo Instituto Tecnológico do Paraná (Simepar)
às 13h30 do último dia 10. Não recebeu, contudo, a informação
do Simepar de que as condições seguiam desfavoráveis
às 22 horas, disse Chipp.
Presidente do grupo de 12 países maiores
operadores do mundo, Hermes Chipp insistiu que não há
nenhum país, mesmo os mais ricos, que desenvolva um
sistema de planejamento redundante para suportar esse
tipo de fenômeno. “É extremamente antieconômico e a
sociedade não suporta”. Segundo Chipp, o modelo de planejamento
do setor elétrico no Brasil é bom. Os investimentos
feitos em transmissão de 1999 para cá atingem cerca
de R$ 25 bilhões. “Não é esse o problema”, disse.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico
pretende entregar na próxima segunda-feira (23) ao Comitê
de Monitoramento do Setor Elétrico e à Agência Nacional
de Energia Elétrica (Aneel) um relatório consolidado
sobre o blecaute de energia ocorrido no último dia 10,
que afetou 18 estados brasileiros. O documento será
em seguida discutido com especialistas de todo o país,
responsáveis pela formação dos profissionais do setor.
O relatório engloba as causas do blecaute,
o efeito dominó, esquema de controles automáticos e
o tempo de recomposição, revelou Hermes Chipp. Ele estará
disponível a todos que estiverem interessados, como
o Ministério Público Federal e o Tribunal de Contas
da União (TCU) que já solicitaram o documento, afirmou.