''Não estamos
livres de blecautes'', diz Dilma, em 1ª aparição após
apagão .
13/11/09
- 06:18
Ministra-chefe da Casa Civil afirma
que assunto 'está encerrado' e afasta possibilidade
de retomar racionamento
Tânia Monteiro e Leonencio Nossa, BRASÍLIA
Depois de submergir por mais de 40 horas, após o apagão
da terça-feira à noite, a ministra-chefe da Casa Civil,
Dilma Rousseff, falou ontem pela primeira vez do problema
e admitiu que o País pode voltar a ter apagões. "Nós
não estamos livres de blecautes", declarou a ministra.
Em entrevista ao programa Bom Dia,
Ministro no dia 29 de outubro, Dilma afirmou: "Nós
também temos uma outra certeza, que não vai ter apagão.
É que nós hoje voltamos a fazer planejamento. Então,
nós olhamos, qual é a necessidade que o Brasil tem de
energia nos próximos cinco anos? Nós, ao olharmos isso,
providenciamos as usinas que são necessárias para o
Brasil."
Ontem, a ministra e pré-candidata ao
Planalto fez questão de diferenciar o que houve terça-feira
com o que ocorreu na gestão Fernando Henrique Cardoso,
negando que o governo tenha prometido que não ocorreriam
mais blecautes. "O que nós prometemos é que não
terá neste País mais racionamento. Racionamento é barbeiragem",
atacou Dilma. "Eu não vou entrar nesse tipo de
polêmica, que não me interessa. Não é por aí a discussão.
Não se pode politizar uma coisa tão séria para o País.
Respondi a vocês tecnicamente".
Antes de avisar que, para ela, o assunto
"está encerrado", a ministra insistiu que
"não teve" apagão e afirmou que a imprensa
estava "confundindo" duas coisas. Para a ministra,
"uma coisa é blecaute" e emendou que "ninguém
pode prometer que não vai ter interrupções nesse sistema".
Segundo ela, o que ocorreu não significa uma fragilidade
do sistema e que, para ele ser 100% seguro, seria "muito
mais caro" e "nós teríamos de pagar uma conta
de luz bastante mais gorda do que nós pagamos".
"Porque nenhum país do mundo tem esse nível de
redundância." Em seguida, afirmou que o Brasil
trabalha com 95% de segurança.
A ministra "lamentou" os
transtornos causados pelo apagão aos consumidores, reconhecendo
que o fato foi "muito desagradável". Mas afirmou
que não se pode "tentar apresentar ao País uma
fragilidade que não existe". Depois de insistir
que "o Brasil de hoje é diferente do Brasil que
sofreu oito meses de racionamento" porque "nós
temos energia sobrando e, naquela época, tinha racionamento",
a ministra comentou que não era possível evitar as intempéries.
"Se tem uma coisa que nós humanos
não controlamos são as chuvas, raios e ventos",
declarou, ao salientar que a matriz energética do Brasil
tem um diferencial positivo em relação à de países desenvolvidos.
Lembrou que enquanto grande parte da Europa e os EUA
usam termelétricas movidas a combustíveis fósseis, no
Brasil a matriz energética é formada na maior parte
por hidrelétricas. Dilma disse ainda que a Aneel vai
investigar o que aconteceu.