Área próxima ao Hospital Universitário foi utilizada
como depósito de cartelas de remédios
Jailma Simone // jailmasimone.pb@diariosassociados.com.br
Cerca de 50 cartelas de comprimidos
foram jogados na mata próximo ao Hospital Universitário
Lauro Wanderlei (HU), em João Pessoa. Pelo menos 12
tipos de medicamentos foram identificados pela equipe
de reportagem de O Norte: Pondera, Avadem e Doxal foram
alguns deles. O primeiro é um atidepressivo e os demais
são indicados para tratamento de reposição hormonal
feminina. João Peixoto, diretor do setor de medicamentos
da Agência Estadual de Vigilância Sanitária (Agevisa),
informou que fará um rastreamento dos produtos nos laboratórios,
através dos lotes, para saber as causas do descarte
e identificar os responsáveis.
Pela aparência das embalagens dos remédios
fica evidente que alguns teriam sido colocados há poucos
dias na mata. Outros estavam envelhecidos. Outra curiosidade
descorberta pela reportagem é que muitos remédios estavam
escondidos embaixo da terra. Uma pequena escavação fez
surgir vários aterrados.
Ivanildo Brasileiro, gerente da Vigilância
Sanitária de João Pessoa, disse não ser de sua competência
o recolhimento dos remédios por está fora da unidade
hospitalar ou de qualquer estabelecimento farmacêutico,
mas solicitou da Autarquia Municipal Especial de Limpeza
Urbana (Emlur) a retirada do material daquele lugar.
"Vamos fazer um levantamento para saber a origem
dos remédios e saber quem fez o descarte irregular",
avisou.
Roberta Rocha, diretora técnica do
HU, explicou que o hospital faz compra de medicamentos
de acordo com a demanda e dificilmente descata algum
produto. "Nós temos um bom relacionamento com os
laboratório, então, quando a validade de algum remédio
está próximo imediatamente fazemos a troca. Além disso,
durante a licitação para compra de produtos hospitalares,
um dos nossos critérios é em relação a validade a longo
prazo e como a demanda é grande em nosso hospital nunca
sobra", relatou.
Ivanildo Brasileiro explicou os critérios
e normas que devem ser respeitadas para o descarte correto
de medicamentos - considerados produtos químicos. Um
deles é a incineração, caso o estabelecimento tenha
condições de fazer sem agredir o meio ambiente. "Caso
contrário, a pessoa tem de armazenar os remédios sob
sua responsabilidade até que providencie medidas corretas
e seguras para descartar", concluiu.
Poluição
Por traz dos muros da academia, a natureza
pede socorro. Não apenas remédios, mas o lixo está diversificado
na mata ao redor da Universidade Federal da Paraíba.
O local onde foram jogados os produtos químicos fica
a cerca de 300 metros do estacionamento do HU no sentido
Bairro dos Bancários. O acesso é fácil devido a existência
de algumas trilhas no local, o que caracteriza ser um
lugar frequentado por várias pessoas.
Não precisa caminhar muito para encontrar
sacos de lixo no meio da vegetação. O ar puro, que deveria
ser inalado ao passar entre o verde das árvores, perde
para o mal cheiro dos dejetos jogados na beira da pista.
"É uma área sem fiscalização e as pessoas não tem
o cuidado com a mata. Na verdade está faltando a consciência
da população porque há coleta de lixo, mas muitos acham
que ali é um depósito para se jogar o que quiser",
afirmou Socorro Fernades, presidente da Associação Paraibana
Amigos da Natureza (Apan). A atuação da Apan é um canal
para a comunidade denunciar casos de desrespeito com
a natureza. Contato através do telefone (83... ou pelo
endereço eletrônico: apan.pb@gmail.com.