Ser um consumidor consciente ainda é caro, mas adeptos
garantem que vale a pena, para o indivíduo e para o
mundo
Louise Aguiar // Especial para o Diário de Natal
Regrar o consumo é cada vez mais difícil
na era das compras desenfreadas. Mas o debate sobre
a importância da conservação do meio ambiente tem feito
com que muita gente repense sobre o uso de alimentos,
papel e até alguns meios de transporte. Entretanto,
apesar da necessidade de um consumo mais consciente
em todas as partes do mundo, produtos como os alimentos
orgânicos costumam ser até 30% mais caros, o que faz
muita gente voltar atrás na hora de optar por eles.
Talvez por isso apenas três em cada dez brasileiros
praticam o consumo sustentável, como aponta pesquisa
recente do Instituto Market Analysis.
Alimentos: exemplo mais comum
do desencontro entre a necessidade e a viabilidade econômica
do consumo sustentável Foto: Fabyana Mota/ON/D.A Press
O ambientalista e professor da UFRN Aristotelino Monteiro
Ferreira diz que esses produtos ainda são caros porque
sua produção não é massificada como os itens industrializados.
Além de que, na opinião dele, a população ainda não
os valoriza. "Infelizmente as pessoas não dão o
devido valor a esses bens mais orgânicos, feitos com
uma maior consciência ambiental. Issofaz com que a produção
seja pequena e mais cuidadosa, o que acaba encarecendo
o produto", explica.
Mas o peso de até 30% que pode ser
sentido no bolso é compensado de outras formas. O ambientalista
e diretor da ONG Baobá, Haroldo Mota, faz parte de um
universo de três em cada dez brasileiros que praticam
o consumo consciente. Há cinco anos, deixou de comer
carne vermelha, há alguns meses não ingere alimentos
de origem animal e prioriza o transporte de moto elétrica
para onde quer que vá. "Evito andar de carro porque
sei o quanto nosso ambiente está poluído. Não vou dizer
que não uso, mas evito ao máximo", aconselha.
Além de andar de moto elétrica e algumas
vezes de bicicleta, Haroldo também compra alimentos
orgânicos e mantém a própria horta em casa. O ambientalista
é minoria, mas segundo o professor Aristotelino, existe
uma demanda crescente por produtos desse tipo em todo
o mundo. De acordo com estimativas das Organizações
das Nações Unidas, o crescimento do consumo de itens
orgânicos, por exemplo, têm crescido entre 30% e 40%
ao ano.
"É só uma questão de tempo, porque
a consciência das pessoas vai aumentando, a demanda
por esse tipo de produto vai crescendo. O que nós precisamos
é começar a ver a natureza como uma parceira",
aconselha. A tendência, aponta o professor, é que com
o aumento da demanda os preços dos alimentos orgânicos
baixem, apesar de que eles nunca chegarão ao patamar
dos produtos clássicos, na opinião dele. "Quem
fabrica esses alimentos tem toda uma mentalidade voltada
para produção em massa, enquanto os orgânicos têm a
mentalidade da qualidade do produto, da vida e do planeta",
avalia.
Lutando em minoria
Menos de um terçoda população brasileira
pratica o consumo consciente 15,2% dos consumidores
recompensam empresas socioambientalmente corretas divulgando
suas marcas e sendo fiéis a ela 30% pode a diferença
de preço entre um alimento orgânico e um comum
Algumas práticas de consumo consciente:
- Conhecer as práticas trabalhistas
e sociais da empresa;
- Preferir alimentos de cultivo orgânico;
- Verificar as informações no rótulo
das embalagens;
- Comprar somente eletrodomésticos
com certificado de eficiência energética
- Preferir produtos de materiais recicláveis
e reciclados